sábado, 9 de abril de 2011

Carta de General Gomes Freire de Andrade

Carta de General Gomes Freire de Andrade



Matilde ,


Perco-me na escuridão do enublado, no medo que não é medo, na palavra que não é palavra nesta sociedade de olhos vendados. Peço-te que não esperes, que ganhes força, não por mim nem por ti, pela vida que digo teres. Pelo teu passado e pelo teu futuro. Quero que não magoes mais o sentimento que todos temos em comum , que nos torna diferentes e iguais , aquele sentimento que traz ruído , que nos faz falar.
Desde que estou aqui sinto que cresci , que ansiei o mundo negro de que agora abraço com gratidão e desejo. Recolhi a luz do vácuo , aquela que só se encontra quando não se procura , aquela que sinto quando olho para ti.
Quero que saibas que deves lutar com cautela , pois nem sempre o vento sopra para o nosso lado , nem sempre nos defende da caminhada íngreme do desfecho trágico.
Escrevo por linhas onduladas como o senhor escreve quando fala e não fala quando não escreve.
Amar-te-ei sempre no invólucro do meu sonho. Felizmente existe a escrita . 



Inês Marques

Página de um Diário Poético

Quero muito e não pouco
Quero muito e não algum
Quero muito e não um bocado
Quero muito o TUDO
Quero, quero, quero...
Um dia voltar a ter
TUDO aquilo que já perdi



Deuses vistos como Deus
Sentidos como salvadores
Apesar de mais velhos
Comparam-se com o mais novo
Este novo que ainda perdura
Na vida de milhões de pessoas
Sem nunca ser esquecido
É relembrado em auxilio
Um Deus valorizado como Deuses
E Deuses equiparados com Deus




O sol azul que entra pela casa
contrasta no céu amarelo que
cobre o dia de hoje.
A pedra alegra o dia
com a sua melodia
O canário está ali no meio do jardim
e serve de baliza.
Os cães jogam à bola
felizes e cansados
As crianças assistem 
com a respiração acelerada
e com a língua de fora
 
 
Ana Carolina Almeida

Oficina de escrita com textos próprios e alheios


O meu corpo tremeu.
A brisa de átomos sobre a cara.
“Foi pela esquerda abaixo” – Pensei eu
“É a que me faltara”.

Seguia-a incessantemente
A brisa de átomos sobre a cara
“E escutam como ressoa” – Tive na minha mente
“É de certeza a que me faltara”.

Seguir, seguir, seguir, segui-a
A brisa de átomos sobre a cara
“Uma combinação brilhante” – Raciocinei
“É sem dúvida a que me faltara”

Um cansaço vem-me à medida que me vou.
A brisa de átomos sobre a cara
“Porque tu vais de mão dada com a aventura” – Na minha cabecinha ecoou
“É, mais do que nunca, a que me faltara”

Gastei-me pelo caminho
A brisa de átomos sobre a cara
“LEVA-ME !” – Ordenei de mansinho
“Para que o fizesses, o que me faltara?”



Notas de compreensão do poema:

- No poema, vários elementos se repetem (de propósito):

  - O primeiro verso de cada estrofe relata sempre algo que acontece ao
     sujeito
  - “A brisa de átomos sobre a cara” que aparece sempre no segundo verso
  - Uma fala / pensamento em todas as 3ª e 4ª estrofes
  - “Tive na minha mente”, “Raciocinei-a”, “Na minha cabecinha ecoou”,
     são sinónimos da palavra pensar presente no 1º verso 


André Matias

Página de um Diário Poético

"Eu, professora"     20/3

Finalmente aconteceu. Sinto - me em sintonia com a minha professora de Português.
Enquanto lia os meus excertos, tirados dos poemas lidos pela professora senti a voz da stora a acompanhar a minha enquanto lia.
Lia e ouvia a minha voz, mas na minha cabeça, a voz que ouvia era a da minha professora. A mesma acentuação, o mesmo tom, da mesma maneira, tudo.

"Calor/Frio"           20/3

No Inverno ansiamos pela Primavera, e na Primavera aclamámos o Verão". Este foi o excerto que eu tirei do poema "A Roda" de W. B. Yeats. E acho que se adequa muito bem à minha situação agora. Hoje fez calor, não acha ? O meu quarto está super-quente, estou a suar. Bem gostava de um tempo frio para arrefecer o meu quarto. Embora no Inverno eu tenha desejado um dia quente para aquecer o meu quarto.



André Matias

Treino de Oralidade: o que foi dito


Leitura

Sentir o sentimento.                                         Racionar a razão.                                          Deixar o sangue correr nas veias inchadas e cansadas,              
De racionar o sentimento.                                            
A necessidade do frio,                                    Do gelo a invadir o coração.                                         
Nem sentimento racionado,                                         
 Nem razão sentida.                                               
 Aguardo o que a um polo me levará.

Dissertação

Este texto foi escrito depois de um momento na aula, onde a professora nos incentivou a enveredar por uma escrita poética mais moderna. Tendo gostado, este texto simplesmente fluiu. É um tipo de escrita que me agrada, devido à sonoridade e ao seu abstracionismo.


Sofia Fortuna

Página de um Diário Poético

Realidade

A realidade é como uma sombra, seque-nos para todo o lado.
Só quando as luzes se apagam é que ela se vai embora.

Sofia Fortuna

sexta-feira, 8 de abril de 2011

VISITA DE ESTUDO SOBRE FERNANDO PESSOA





Visita de estudo à procura de “Fernando Pessoa e o seu percurso”

“Lisboa Pessoana”.
A visita de estudo foi longa, mas muito proveitosa, dando-nos uma imagem de uma nova Lisboa dum ponto vista “literário”, deu-nos oportunidade de explorar, ver novos cantos escondidos pela vasta cidade de Lisboa “Pessoana”.
Fernando Pessoa não só deixou a sua marca como escritor, como também se fez marcar pela sua vida e espaços que habitou/frequentou.
[...]
 Um dos locais que mais me agradou no desenrolar desta visita foi o elevador de Santa Justa, [...] Este espaço foi marcado por Fernando Pessoa pelo recordar da sua infância, pela saudade desta, e sua mudança até àquele momento, utilizando o cais para retratar o seu sentimento. Tendo sido escolhido,na minha opinião, um dos locais que mais me agradaram na visita a Lisboa.

“. - Ah todo o caís é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do caís
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o caís e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angustia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha. (…)

 
[...]

Conclusão
A visita foi mais do que uma procura do percurso feito por Fernando Pessoa, classifico-a como a procura de um novo ponto de vista, de uma outra cidade de Lisboa” uma Lisboa "Pessoana” uma cidade que vive e sente as coisas sob forma poética transcrita pelo nosso Poeta “F.P” sob forma de versos e variados poemas escritos pelo seu ortónimo e heterónimos. A visita teve como objetivo ensinar-nos a apreciar o dia mais monótono da nossa vida, o passar da brisa pelo nosso rosto,”ser simples” . Aproveitar o que a vida nos dá, e o que nos deixaram.” A origem /história/memória/o conhecimento”.


Marta, 12 D