sexta-feira, 8 de abril de 2011

Treino de Oralidade: o que foi dito


A minha apresentação não fugiu à minha noção do que sabia na altura. Expliquei, depois de ter lido o texto, o que as gaivotas são, e porque voam e os pombos não, e correspondi estas duas espécies a dois tipos de pessoas Eu e os outros, e como me acabavam de interromper por serem pombos,  antes de me lembrar deles pensava na essência do mundo e na minha, e revelou-se [suja] por ter pensado nos outros tornando a matéria não pura.

Por fim, fui confrontado com o tema de gaivotas sem penas, não consegui achar verdadeira a imagem de me ver sem pele, mas via os meus órgão através da fresta do meu corpo, como descrevi no poema que li.
Não fui claro, e não consegui ir para além desta incapacidade, e continuo sem poder e sem querer ir para além dessa incapacidade.
Posso acabar por dizer que afinal tudo me faz confusão porque confundia pássaros. Logo aí as possibilidades de ser lúcido são um pouco impossíveis… 

Luís Costa

Peso e leveza - momento de improvisação


Peso e leveza - momento de improvisação

A nossa leveza é insustentável
E o nosso ser?
Se não estou leve, não o sustento.
É insustentável?
Não obtenho resposta.
Pesado?
Tão pesado, que não vejo leveza.
Tudo quanto penso me pesa.
Tudo quanto sinto igualmente me pesa.
Chega a doer.
Não me sinto leve.
Estou pesada, não consigo sustentar o meu ser.
Mas somos sustentáveis.
Leves e pesados.
   



Ana Filipa Pereira Almeida Nº2 12ºF

Treino de Oralidade: o que foi lido e dito


Tema de Dissertação


Num rasgar de nuvens brancas deparo-me, lento, lento, lentamente com o azul que vai desaparecendo, o branco limpo torna-se sujo como uma baforada cinza do cigarro mal aceso.
O azul fictício ou não, ele tem cor, palpável ou não, ele existe e desaparece pelo cinza das nuvens.
Nesta panóplia de cores e concentração na minha visão, uma gaivota quebra toda a minha fixação e sigo com o olhar a gaivota voando.

Justificação

Este texto foi escrito no meu telhado no qual tenho uma incrível vista para Lisboa , estava um sol fantástico e pus-me a olhar para as nuvens de forma a esquecer o dia-a-dia citadino e todo o stress que a cidade nos traz, que para muitas pessoas é tão normal e tão stressante que nem se lembram de pequenos gestos como olhar para as nuvens e que nos deixa mais calmos e descontraídos.
E basicamente foi esse o motivo: ver as nuvens cinza a fecharem um rasgo azul do céu.
Tive como base o Alberto Caeiro por ser espontâneo e naturalista, e foi mesmo essa a minha estrutura de pensamento, deitar cá para fora sem ter grande cuidado de raciocínio e ser naturalista.





Tema de Improvisação

“Asas dos Telhados”

Do telhado meu 6º andar avisto inúmeras fachadas de prédios, mas também avisto a Sé, o castelo, o Tejo e toda a Baixa, mas mais que tudo avisto asas que se soltam de vários lugares sem saber bem de onde, mas que me levam a fixar o olhar até desaparecer do meu campo de visão.
Do meu telhado vejo a liberdade das asas.

Diogo, 12 D

VISITA DE ESTUDO SOBRE FERNANDO PESSOA



Disciplina: Língua Portuguesa
Professora:  Risoleta Pinto
Nome: André Gouveia Matias  Nº4  12ºD

Que posso eu dizer? Não houve nada de que eu tenha gostado mais. Adorei a visita de estudo. Do principio ao fim. Adorei o passeio em si (sou grande fã de passear); adorei poder fazê-lo com as pessoas que mais gosto a seguir à minha família: os meus colegas; adorei poder fazê-lo com professores de quem eu gosto e respeito; adorei todo o conhecimento que pude obter; adorei os textos lidos e adorei ler um texto e poema em frente à casa do próprio Fernando Pessoa; adorei cada rua, cada esquina, cada detalhe, cada casa e prédio, cada estátua .... se calhar cada pedra.
Do principio ao fim senti o meu corpo encher-se de entusiasmo e ânimo por algo que eu quase nunca fiz na minha vida: passear com amigos e colegas.

O meu ânimo só pode ser comparado ao ânimo de Álvaro de Campos pela máquina e o meu cansaço após esta esgotante viagem assemelha-se ao cansaço de Campos na sua 3ª fase.
(Pode dizer-se que neste passeio senti a própria essência de Fernando Pessoa e tornei-me parte dele, como um heterónimo. Mas talvez eu esteja a exagerar)

Foi uma visita de estudo muito relaxante (poder passear durante o tempo de aulas e aproveitar o dia) e educativa para mim, talvez mais num sentido geográfico pois permitiu-me conhecer melhor a Baixa, os seus pontos de interesse e a navegar por entre eles.

É uma visita que dificilmente esquecerei (tenho montes de fotografias para me lembrar dela, por isso vai ficar no meu “chip" de memória por muito tempo) e, infelizmente, uma que dificilmente conseguirei repetir.

[...]

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Arte Poética (criada a partir de passagens recolhidas de poetas (a sublinhado) e texto dos alunos


Arte Poética
“Um olhar gelado que me abrange da cabeça aos pés

Sinto-me num desamparo constante sempre que tento descodificar aquilo que me é tão estranho, “arte poética?!”. A definição de arte é um desafio que considero impossível. A poesia, aos meus olhos, é como um monstro aterrorizador, que me faz sentir nada mais do que sentada nos calcanhares, à espera que alguém sopre com fôlego, para que possa tombar de uma vez… E “arte poética?”, “arte poética” é como ver esse monstro a crescer e a crescer…sem nunca mais parar.
Esse monstro que tanto evito arrepia-me, sinto-o como um forte avançar de passos acompanhados de um respirar felino… E por mais que essa respiração abrande, não por piedade, mas para esboçar um sorriso de triunfo, para troçar de mim como se pudesse exclamar por entre dentes…: “- Despe-te! Para mim és culpada!”; deixa-me tão fria, crua e nua… como se um trapo em volta da cintura fosse tudo aquilo que cobrisse o meu corpo.
Ah como só anseio que a morte se cerque do meu raciocínio punindo-me por não ser capaz de rodar a manivela do mundo!
É uma pressão imensa, transforma os dias em dias de febre na minha cabeça. As ondas de sombra teimam em não quebrar nas esquinas e atravessam-me os cornos.
Sinto-me estrangulada dos pulmões à garganta!
Conheço-me incapaz de me dissolver em enredos bizarros. Subornava a fera se possível! Alimentá-la-ia se fosse essa a chave! Dar-lhe-ia de mamar três vezes!
Sinto-me acorrentada a uma esperança ilusória e exaustiva de conseguir travar esta batalha e entender os rugidos da água. Ingénua! A bússola encontra-se enterrada e eu não manipulo mais do que o objectivo, como que limitada pelo vermelho da maçã e o brilho do mar.
Bolas! Desejo a ambiguidade como uma órfã deseja fortuna!
Apetece-me desaparecer numa nuvem, mas o rumor de cada passo aumenta em sintonia com o meu receio e vejo-me medrosa em demasia para desistir. Nada para. Eu não paro, os passos não param, e uma náusea infinita explora todos os cantos da minha mente, exterminando as comédias da minha alma.
Continuo asfixiada por aquele dom de tornar as almas mais pequenas. Já só desejo olhar os meus pezinhos enlameados e centrar-me na nostalgia do túmulo, fazendo do andar nu o maior feito.
A fera rosna-me, mas nunca se verga à minha vontade, apenas suga os versos brancos que eu julgo pintar, resumindo-me a uma fala muda. Com a boca já só mordo o ar e finco a minha teimosia de que a noite não tem seios e jamais me dará a provar alguns sabores
Nasci desamparada pelo amanhecer, foi sozinha que nasci, num tempo que não teve tempo de começar, pois a maravilhosa morte da minha alma tinha já começado ao fim do dia.
Se eu tivesse ao menos um nome…

Mariana Fonseca