terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Simpatiquíssimo ou simpaticíssimo?

Transcrevo, de um email recebido:

É indiferente: uma é de origem popular (simpatiquíssimo, superlativo absoluto sintético do adj. simpático) e a outra seguiu a via erudita (do latim simpathicu), simpático + íssimo = simpaticíssimo.
Rodrigo de Sá Nogueira, que também se debruçou sobre estas duas formas, nas suas "Questões de Linguagem", aconselhava no entanto o emprego de simpaticíssimo:
«Nas minhas Questões de Linguagem, I, pp. 167-168, escrevi: «A meu ver, as duas formas têm defesa, mas a primeira oferece melhores condições de aceitação. A primeira é de formação erudita, enquanto a segunda é popular; a primeira tem melhores condições de aceitação, porque se harmoniza com a formação de outros superlativos, mas a segunda é mais portuguesa. Como o povo, ou seja o maior número dos Portugueses, em vez da forma do superlativo simples, emprega geralmente a do superlativo composto, isto é, em vez de boníssimo, por ex., diz muito bom, sucede que a formação do superlativo simples é modelada em regra pelos cultos em formas eruditas. - É assim que temos amabilíssimo, amicíssimo, antiquíssimo, simpaticíssimo, ferocíssimo, dulcíssimo, crudelíssimo, fidelíssimo, parcíssimo, nobilíssimo, facílimo, celebérrimo, integérrimo, libérrimo, etc., etc., em vez de amavelzíssímo ou amavelíssimo, amiguíssimo (que o povo usa), antiguíssimo (idem), simplesíssimo, ferozíssimo, docíssimo (idem), etc. - Em resumo: aconselho o emprego de simpaticíssimo, visto que analogamente os cultos dizem amicíssimo, parcíssimo; no entanto acho que não erra quem diz simpatiquíssimo, visto que também analogamente todos dizem riquíssimo, fraquíssimo, pouquíssimo, etc., e não ricíssimo, fracíssimo, poucíssimo, etc. - Se aconselho simpaticíssímo é porque a própria forma simpático é culta. Se algum dia se popularizar, e se o gosto geral simpatizar com o superlativo simpatiquíssimo, um caminho só há que seguir: é conformar-nos com o facto consumado».»
Ora, quase 30 anos depois de esta hipótese haver sido levantada, como, de facto, o uso acabou por consagrar o menos simpático simpatiquíssimo.

J.M.C. :: 01/03/1997

VISITA DE ESTUDO SOBRE FERNANDO PESSOA

Para além da sua actividade poética, Fernando Pessoa tinha de ganhar a vida, por isso trabalhou como tradutor em inúmeros despachantes da Baixa e também trabalhou para os bancos Totta e Banco de Portugal.
ROTEIRO PESSOANO na Baixa Lisboeta
1.Largo de S. Carlos (as três primeiras janelas do 4º andar  mesmo em frente ao teatro de S. Carlos- aí nasceu a 13 de Junho de 1888 e aí viveu com a mãe e o pai, que era crítico de música.
2 Café Brasileira, no Chiado, onde se juntava o grupo dos modernistas: ele, Almada, Mário de Sá Carneiro, Santa Rita Pintor...
Escultura de Lagoa Henriques (os seus objectos: café, bica, caneta e papel)
 Modernismo_ Amadeo, no norte
                       Orfeo no Sul
Aqui se encontrava com os modernistas, embora a partir de certa altura tenha deixado de subir à Brasileira; o Almada é que vinha aqui muitas vezes (1916-18); vivia no largo dos Bombeiros e vinha aqui beber café.
O Pessoa a partir de certa altura passou a parar mais pelo Martinho e outros cafés da Baixa.
3 Igreja dos Mártires- Onde foi baptizado
(Poema “Ó sinos da minha aldeia...)
Séc XII, de inspiração bizantina (D. A. H.)
4 Largo Bordalo Pinheiro
1º Andar do “Rei das Meias” era o Casino Lisbonense (jogos, conferências, colóquios); aqui se realizaram as Conferências do Casino, já no tempo de Eça e Antero.
No nº 4 funciona o Círculo Eça de Queirós (biblioteca, sala de convívio, local de estudos queirosianos (abre à tarde)
5. Largo do Carmo- nº 18, 1º andar, terceira janela, quarto cor-de-rosa
Foi quando deixou a Universidade e esteve aqui dois anos “a empanturrar-se de livros”. Aí viveu dos 20 aos 24.
Aqui nasceu  a ideia da Mensagem inspirado no Convento do Carmo, construído por D. Nuno Álvares Pereira.
D Nuno é um dos heróis da “Mensagem”, tal como o Pe António Vieira e D. Sebastião.
Planificou o livro segundo a filosofia de Joaquin de Fiori: Idade do Pai, do Filho, do Espírito Santo e do Quinto Império.
6. Estação do Rossio- azulejos de Lima de Freitas muito relacionados com o V Império da Mensagem.
7. Largo D. João da Câmara- havia aqui dois cafés frequentados por Pessoa.
O Martinho original onde é agora o BPI e o Suíço, onde é a CGD.
Tinha uma montra enorme em vidro com um cortinado a meio acima do qual se viam as cartolas (daí chamar-se o café das cartolas).
Fernando Pessoa frequentava muito estes cafés com o poeta Carlos Queirós, familiar de Ofélia Queirós, que vivia por cima do café da Gare, no 2º andar.
Carlos Queirós ficava até à hora de jantar (quando via acender as luzes da sala de jantar) e F. Pessoa depois ia até ao Martinho da Arcada.
Talvez se tivesse inspirado na figura de D. Sebastião com a espada da Ordem de Cristo e de Santiago(estátua entre as duas portas), o drama da chegada e da partida.
8. Rossio- Vários cafés frequentados por Pessoa:
- Café Portugal (agora casa das luvas)
-          Café Gelo (agora Abracadabra)

- Botequim das Parras (onde Pessoa e outros escritores formaram importantes tertúlias e grandes discussões literárias; no interior do Café, a que chamavam o - Aguilheiro dos Sábios)
- Café do Bocage (agora Nicola)
      - Irmãos Unidos (agora Camisaria Moderna)
Pertencia a um médico galego muito culto, Alfredo Segurado,  que pediu a Almada para fazer o retrato de Pessoa por 3000$00; depois fez outro que foi para a Gulbenkian, e o dos Irmãos Unidos está na Casa Fernando Pessoa.
9. “A Licorista” tendinha de ginjinhas, como, nos Restauradores, o Palladium; F. Pessoa era um habitué destas duas.
“Em flagrante delitro”
A aguardente e o absinto eram as preferidas de Pessoa.
Há também a tendinha do Rossio.
10    Rua Augusta- Trabalhou em quase todos os escritórios da baixa como tradutor ou como guarda-livros.
11 Rua do Ouro, nº 87, 2º, firma de que foi sócio em 1917-1918
12 Rua da Prata, nº 267, 1º e 71, 1º: escritórios onde trabalhou
13 R. de S. Julião, nº 101, nº 52 e nº 4: escritórios onde trabalhou
14 R. da Assunção, º 42, 2º, nº 58, 2º e 109- escritório onde conheceu Ofélia, sede da editora Olisipo que dirigiu e um escritório onde trabalhou.
                                15   Martinho da Arcada- foi o primeiro café de Lisboa; chamava-se “Casa Da Neve” 
A neve vinha pelo Tejo embrulhada em palha. Também se vendiam aqui bilhetes para as tipóias para Sintra.

Informação sobre Exames

Destaco, de uma informação da Drª Luísa Mota, psicóloga:

"... os alunos com Necessidades Educativas Especiais, dislexia e outras, podem pedir condições especiais para os exames nacionais. Para isso têm que preencher um requerimento próprio que devem vir buscar aqui ao gabinete. O facto de pedirem não lhes garante que sejam atribuídas, pois os processos são depois analisados pelo Júri Nacional de Exames."

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sumários da semana de 14 de Fevereiro

Treino de oralidade.
Motivação para a leitura.
A poesia de Sophia de Mello Breyner, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Agostinho da Silva e Pessoa.
Campos e a fase intimista; Reis, o epicurismo e o estoicismo.
Conclusão do estudo de Pessoa e heterónimos.
Revisão.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sumários da semana de 7 de Fevereiro

Sensibilização à poesia: audição de um poema de Kavafis.
As características da poesia de Álvaro de Campos.
Leituras e análise de dois poemas da terceira fase.
Fernando Pessoa enquanto "drama em gente": o diálogo entre os poetas e os poemas.
Fernando Pessoa, heterónimos e o tempo.
Epicurismo e estoicismo em Ricardo Reis.
O rio como símbolo de impermanência.
A terceira fase de Álvaro de Campos. O cepticismo e o cansaço.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

FELIZMENTE HÁ LUAR




Inicialmente foi-nos apresentada uma introdução por Maria do Céu Guerra, sobre o contexto histórico e o autor da obra. Com esta introdução apercebemo-nos da época em que foi escrita, no século XX, precisamente em 1961, acontecendo nesta época diversos conflitos sociais e políticos protagonizados essencialmente pela oposição e o regime salazarista.
Com esta obra, Sttau Monteiro pretende mostrar à sociedade as dificuldades que Portugal passara, o medo do povo, que não tinha a coragem necessária para lutar pelos seus interesses, especialmente pela liberdade a que tinha direito. Esta falta de coragem originou muitos outros problemas para a população portuguesa, como a miséria, a falta de moral e os destinos traçados a que não conseguiam resistir.
Na minha opinião, esta peça foi bem apresentada pelos actores, nomeadamente, pela personagem de Matilde (mulher de Gomes freire de Andrade) e D. Miguel (primo de Gomes Freire).
Gomes freire, embora personagem ausente fisicamente, é o protagonista do desenrolar de toda a história, foi à sua volta que as peripécias aconteceram, pois sendo ele um homem considerado pelo povo como revolucionário, toda a oposição queria acabar com a sua existência.
Assim, as forças da oposição uniram-se, mas a Igreja defendida por Frei Diogo e a força militar regida por Beresford (homem calculista e oportunista) prenderam e mais tarde enforcaram o seu maior “inimigo”, Freire de Andrade. Nesta peça ainda temos oportunidade de ver o sofrimento de Matilde perante todas as injustiças contra com o seu querido marido e a sua luta pela liberdade, apesar de só ser apoiada por um amigo Sousa Falcão (símbolo de amizade e fidelidade), pois toda a população tinha medo do regime.
O nível cénico, inicialmente, causou-me um choque pela sua pequenez e simplicidade, pois as casas eram tão pequenas que parecia um mundo de crianças, mas, no mesmo instante, dois mendigos a volta de uma fogueira davam uma imagem forte da pobreza e crueldade em que as pessoas viviam.
No decorrer do espectáculo deparamos com vários aspectos, como a repartição da população por classes, muito bem conseguida através dos figurinos e da interpretação das personagens (modo de falar e estar).
A sonoplastia, muito boa, tanto a nível de ouvir os actores, pois a sala tinha boa acústica, como os sons que surgiam através de lançamento de pedras e vidros partidos, entre outros. O mesmo acontece a nível de luz, que incidia por vezes em personagens, o que aumentava a credibilidade e reforçava a presença destas.
No geral, achei uma encenação bem conseguida, mas penso que a introdução inicial foi um pouco excessiva o que tirou a atenção de vários espectadores. Em oposição, a cena transmitiu-nos a principal ideia do texto e do tempo correcto, sendo esse, na minha opinião, o principal objectivo.
Rita Duarte nº22
12ºF

Crítica à peça



Felizmente há Luar
Van Gogh

Sendo isto uma crítica minha e só minha, serei honesto. Naão gostei muito da peça, francamente desiludiu-me um pouco, e foi por eu já conhecer o livro e a história antes de ver a peça. Muitas das deixas foram cortadas para tornar o espectáculo mais curto e, como consequência, algumas falas perderam o sentido, por já não terem as outras para as completarem; achei as falas e as personagens do livro muito mais profundas e com significado que as do teatro. Cá por mim, não me importava nada de estar lá mais uma hora, se pudesse ver a história mais completa. Se aquele discurso antes da peça não tivesse sido tão longo, talvez houvesse tempo, mas, por outro lado, não fui eu que actuei, e actuar é um trabalho cansativo, o que me leva a ponderar que não estou em posição de criticar o trabalho alheio, se bem que, como alguém que pagou o seu bilhete e viu a peça, tenho o direito de pelo menos anotar algumas falhas que poderiam ser melhoradas.

Falando dos actores, não achei que a representação fosse muito boa: faltou-lhes alguma convicção e paixão. Principalmente, não gostei da representação feita de Vicente, foi a personagem que eu mais admirei no livro e a “fantasia” foi um pouco arruinada com a peça. Mas, em contraste, adorei as personagens do Berseford e de D. Miguel, gostei da maneira como foram representados, principalmente Beresford, com as suas falas inglesas que não estão no livro (um toque muito bom); de D. Miguel gostei do visual do personagem, parecia ter sido talhado para a sua personalidade, a sua maneira fria e pouco emocional de falar e agir. Destas personagens, posso dizer que fizeram a ida ao teatro valer a pena. Quanto aos outros personagens, não me chamaram muito a atenção ou não me cativaram. Embora admita que a actriz que fazia de Matilde de Melo  representava muito bem, não gosto muito de papeis muito dramáticos.



Quanto aos outros elementos, como o cenário e os efeito de luzes e som, tenho opiniões distintas. Acho que os cenário não estava grande coisa. O painel no fundo de facto era bonito e ajudava com os efeitos de sombra, que também achei muito bons e que acentuavam as personagens muito bem, principalmente Beresford, o Principal Sousa e D. Miguel, perto do fim do 1º acto. Mas aquelas “casinhas” minúsculas espalhadas no palco uma tentativa muito fraquinha de recriar o ambiente (a não ser que o objectivo deles fosse outro), mais valia terem montado um cenário ou elementos de cenário (mesmo que fossem em cartão) para dar um outro sentimento e um maior realismo ao meio ambiente. Quanto ao som, achei que estava bom, mas no livro imaginei o som dos tambores como algo diferente, mais assustador e militar, e o som das outras pessoas de uma outra escola a falarem muito alto, ao fundo, no final do 1º acto,  ao ponto em que já não conseguirmos ouvir bem o que os personagemns diziam, forçando-os a levantar a voz e a parecer que estavam todos apenas a gritar, mas sem nenhum sentimento ou efeito, foi só mesmo barulho que atingiu o ouvido mas não conseguiu chegar “mais longe”.


Emfim, esta é a minha opinião sobre a peça. Se fosse mesmo um crítico, com criticas escritas em livros e revistas, dava uma pontuação um pouco fraca à peça em geral, mas aclamando alguns dos elementos individuais da peça.
[...]


André Matias