domingo, 13 de fevereiro de 2011

Crítica de Teatro


John Atkinson Grimshaw

Felizmente há Luar, Luís de Sttau Monteiro


Encontrava-me na última fila das bancadas cercada por zumbidos, risinhos e conversas paralelas quando uma voz de tom irado rompeu as cortinas e barricou todas as outras sonoridades, alegando estranheza ao não ter sido recebida por um imediato aplauso. Foi Maria do Céu Guerra quem subiu ao palco e nos introduziu num movimento liberal oitocentista, evidenciando o paralelismo entre este ambiente de conspiração (1817) e a opressão condicionada pela ditadura de Salazar (1961 - época em que a censura perseguiu a peça de Sttau Monteiro). 
A encenação de Helder Costa foi então precedida por uma expansiva explicação da peça e do teatro em geral. O público era formado apenas pelo corpo estudantil e, como tal, o principal objectivo não podia fugir à aprendizagem, mas a dimensão que a inicial abordagem tomou, proporcionou uma ideia de crítica ao próprio trabalho – “não seria a peça enredo suficiente?”.

As luzes apagaram-se. As cortinas abriram-se. E, no palco, estavam apenas umas pequenas casas, dispostas frente-a-frente, criando a ilusão de ruelas lisboetas. Este foi o cenário principal ao longo de toda a peça. Por vezes, sofreu ligeiras invasões de objectos, numa ou noutra cena, mas “Lisboa para Bonecas” não se alterou e possibilitou aos actores rápidos passeios pela cidade.
A cenografia minimalista foi contrastada por poderosas presenças em palco como Maria do Céu Guerra e João D’Ávila que provaram que um “actor deve trabalhar a vida inteira (…) e nunca renunciar este objectivo principal: amar a sua arte com todas as forças e amá-la sem egoísmo” – Constantin Stanislavski.
No entanto, todo o elenco (Adérito Lopes, Jorge Gomes Ribeiro, Pedro Borges, Rita Fernandes, Ruben Garcia, Sérgio Moras e Vânia Naia) vestiu as respectivas personagens de forma exemplar, traduzindo a interpretação de Helder Costa, claramente fiel aos objectivos de Sttau Monteiro.

 “Eu sou um homem de teatro concreto, real, de palco. Para mim, o teatro surge quando está no palco, quando estabelece uma relação social, concreta, num povo e num grupo. O livro meramente, ou o texto, tem para mim muito pouco significado, apesar de eu ser um autor teatral. (…) Se vocês são o teatro do futuro, eu sou o do passado. Eu sou um homem para quem só conta o espectáculo.” – Sttau Monteiro.

A peça começa como o crescer de uma avalancha: num ambiente de intrigas e denúncias, existe um povo faminto por lutar, fazendo prevalecer os ideais de Gomes Freire de Andrade, um general amigo da população que acaba detido. Esta situação alimenta o descontentamento da plebe e o desejo de revolta, obrigando a polícia a cair sobre os civis (como a PIDE caiu sobre o Luís de Sttau Monteiro). A esposa do General, Matilde (papel de Maria do Céu Guerra), veste uma capa de coragem e assume uma voz de consciência sobre a injustiça humana, tentando salvar aquele com quem partilhara tantas vivências.
O avançar na narração reduz a velocidade e o drama prevalece sobre o texto: as cenas tornam-se mais expressivas com as incisões de luz e os efeitos sonoros, e toda a representação se aproxima lentamente da fatalidade – a execução do herói.
No fim, a tragédia é embelezada pela ligação existente entre um acentuado luar, como imagem de fundo, um forte e incisivo foco de luz e um grito ( – “Felizmente há luar!”) de Matilde, para quem a imagem (cenário descrito pela actriz) das labaredas a dançarem com o esposo, será para sempre o clarão que “há-de incendiar a terra e abrir as almas”.
Durante todo o espectáculo foi notória a linha teatral de Brecht, ou seja, o facto do actor despir o objectivo de representar e transmitir a necessidade de relatar o real, transformou a peça numa "afronta".
Sentada, senti-me presa e acorrentada, e percebi que este sentimento não era nada se não uma inutilidade. O espectáculo provoca-nos, força-nos a querer reagir, pois sentada naquela cadeira, naquela última fila, vi-me forçada a esquecer o meu papel enquanto espectadora e a vestir a pele de uma personagem enquanto cidadã. O desejo de luta do ser humano contra a tirania, a opressão, a traição, a injustiça e todas as formas de perseguição que consumiu uma imensidão de pensamentos durante o movimento liberal oitocentista em Portugal, que fez fervilhar o sangue de tantos reclusos na ditadura nos anos 60 do século XX, invadiu também a minha presença enquanto observadora e destruiu-a.
O fascínio do teatro está na aprendizagem, na percepção de como o “antes” influenciou o “agora”. Mas o prazer desta aprendizagem está nas entrelinhas, está na capacidade de descoberta, está no percurso. Explicar a mensagem antes da experiência é matar um bocadinho da magia que reside obrigatoriamente num mundo de espectáculo, por isso pergunto uma vez mais:
 – Não seria a peça enredo suficiente?
 – Era.


Mariana Fonseca nº19 12ºF

Improvisação

                                      O café do Museu Jacquemard André

Improvisação
O café onde nunca fui


Lugar inexistente de um sonho real. Local onde nos acomodamos a chorar , a rir , a pensar , a ficar ...
Sítio onde vamos parar nos sonhos conscientemente ou não , sítio que nos acolhe , onde vemos tudo com bastante clareza, mas que não conseguimos retratar para os outros . 
Cada pessoa deste mundo tem um lugar diferente  e se mostrássemos o lugar de cada um aos outros , os outros veriam outro lugar ...
O sonho que nos faz viajar para um lugar onde nunca fomos , onde eu vejo uma mesa e tu vês uma cadeira , onde eu vejo azul e tu vês verde , um lugar mágico do nosso imaginário que nos torna reais.

Inês Marques

Crítica à peça FELIZMENTE HÁ LUAR

                                    Van Gogh             
                                  
"[...]

“A Barraca” pega neste texto e encena-o pelas mãos de Hélder Costa dando-lhe um registo que alterna entre o cómico e o trágico, tendo como pano de fundo o contexto social e político da época. Encenação bem conseguida, apesar do arranque lento dos actores,. No entanto, algures nas linhas de Sttau Monteiro, em conjunto com a estética da peça e também pelos artistas, somos acordados para a decadência da sociedade portuguesa. A peça mostra-nos um ambiente em que Portugal é diminuto: as pessoas são pequenas, as ambições apertadas, a luz é cerrada e parece que com o decorrer da peça o cenário diminui cada vez mais até que só restam as sensações. Quebra-se a “quarta parede”.
O leque de actores é rico: Maria do Céu Guerra, João D’ Ávila, André Nunes, Luís Thomar, Patrícia Marques, Pedro Borges, entre muitos outros. Há que denotar a presença inabalável de Maria do Céu Guerra no papel de Matilde, mulher do General, que me emocionou várias vezes ao longo da peça, apesar de esperar mais,. Todos os  outros , no registo umas vezes trágico, outras vezes cómico, algo submisso, deram o seu contributo para o "inconstante" bom desempenho geral. Mas foi sem dúvida o General Gomes Freire de Andrade, a personagem chave desta peça, pois é aquele que está sempre presente embora nunca apareça e no entanto, a certo ponto imaginamo-lo a subir ao cadafalso.
A sonoplastia e luminotecnia da peça estiveram a cargo de Fernando Belo e Rui Mamede que fizeram um excelente trabalho através do dinamismo do desenho de luz e das soluções originais que resultaram na perfeita transposição de cenas. O cenário foi muito bem resolvido com as pequenas casas iluminadas e sobriamente dispostas em fileiras apertadas em que a luz determinava a situação. As opções estéticas do encenador estão realmente de parabéns.
[...]"

Andreia Verdugo

Treino de oralidade: tema para improvisação

                                       Monet
 Nevoeiro

Nevoeiro, dito de uma forma mais vulgar, é quando as nuvens descem e estão mais perto do chão bloqueando-nos a visão e tornando mais difícil ver as coisas, o que pode ser um perigo pois arriscamo-nos a chocar com aquilo que não vemos (embora isso só aconteça quando está muito cerrado) levando a acidentes e desastres (principalmente se for de carro). O nevoeiro têm uma simbologia muito ligada ao mistério e ao desconhecido, porque não se sabe o que pode se esconder nele, estando também, em Portugal, muito ligado ao mito do Sebastianismo.
Embora o perigo do nevoeiro normalmente venha apenas do facto de tornar a visão algo mais difícil e de tornar o tempo mais húmido, coisas que só nos afectam se deixarmos, existe um género de nevoeiro que representa um perigo a todos os seres vivos que tenham o infortúnio de o respirar: o smog. Smog vem da junção das palavras inglesas fog (nevoeiro) e smoke (fumo, neste caso da poluição de gases). Como sabem, os fumos emitidos pelos carros e as fábricas são gases poluentes e prejudiciais que fazem mal à saúde, também as nuvens que andam lá no alto são gases, quando o fumo que sai dos carros e fábricas entram contacto com as nuvens, os gases combinam-se, tornando a nuvem dezenas de vezes mais ácida que o habitual, o que também contamina as gotas de água da nuvem formando as chuvas ácidas. Respirar esta junção de gases é como respirar ácido e a exposição prolongada pode corroer os pulmões e o resto dos órgãos que são mais vulneráveis que a nossa pele ou corpo exterior, levando a problemas respiratórios e outros, muito mais graves, que podem levar à morte. O que torna o smog ainda mais perigoso é que é capaz dos mesmos feitos que qualquer gás, podendo entrar em qualquer abertura por muito pequena que seja e infectar-nos com o simples acto de respirar. o que não pode ser evitado e é obrigatório para todos os seres vivos, até as plantas.


André Matias

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estatuto do Aluno

Destaco:

"Assunto: Princípios a considerar na aplicação do art.º 22.º do Estatuto do Aluno, na
redacção dada pela Lei n.º 39/2010, de 2 de Setembro.
Na sequência da entrada em vigor da Lei n.º 39/2010, de 2 de Setembro, e de algumas
questões que a aplicabilidade da mesma tem suscitado por parte das escolas, designadamente
no que se refere ao Artigo 22º, junto se envia, por solicitação de Sua Ex.ª o Sr. Secretário
Adjunto e da Educação, um conjunto de princípios a considerar na aplicação do supracitado
artigo:
Princípios a considerar na aplicação do art.º 22.º do Estatuto do Aluno, na
redacção dada pela Lei n.º 39/2010, de 2 de Setembro.
Da análise do art.º 22.º, resulta o seguinte no que se refere à realização do plano individual de
trabalho (PIT):
1. A ultrapassagem do limite de faltas previsto nos nºs 1 e 2 do art.º 21 determina o
cumprimento de um PIT;
2. O PIT incide:
[...]
b) sobre a(s) disciplina(s) em que o aluno no momento em que ultrapassa esse
limite pela 1ª vez nessa(s) disciplina(s) nos restantes ciclos do ensino básico e do
ensino secundário;
3. O Conselho Pedagógico determina as condições da realização do PIT, bem como o
regime de avaliação a que é sujeito. Estas condições deverão incluir os aspectosque o Conselho Pedagógico considerar necessários, designadamente a duração, a
carga horária da(s) disciplina(s), as matrizes de planificação dos conteúdos
programáticos a desenvolver, os objectivos a atingir, as competências a adquirir
pelo aluno e a tipologia e os instrumentos de avaliação a utilizar para avaliar os
alunos e a consecução do plano (n.º 4);
4. Compete ao Conselho Pedagógico determinar quais os elementos a considerar pelo
Conselho de Turma de avaliação do final de ano lectivo quando tiver que se
pronunciar, em definitivo, sobre o efeito da ultrapassagem do limite de faltas
injustificadas verificado (n.º 8);
5. O PIT é sempre cumprido em período suplementar ao horário lectivo (n.º 4);
6. A realização de um PIT, quer abranja uma ou mais disciplinas, só pode ocorrer uma
única vez no decurso de cada ano escolar (n.º 3);
7. Qualquer nova ultrapassagem ao limite de faltas em disciplina(s) não dá origem a
novo PIT;
8. O regime de faltas continua a aplicar-se ao aluno no cumprimento do horário lectivo
da sua turma, enquanto realiza cumulativamente um PIT.
[...]"

A Directora-Geral
Internet: www.dgidc.min-edu.pt

MATRIZ DO 1º TESTE DO 2º PERÍODO- Pessoa e heterónimos




Estrutura:

I GRUPO Resposta a perguntas V/F sobre as características do ortónimo e/ou dos heterónimos (30)
II GRUPO Identificação dos autores de várias passagens  apresentadas de Pessoa ortónimo/heterónimos e justificação (30)
III GRUPO Perguntas de interpretação sobre um texto de um dos "poetas" (100)
IV GRUPO Desenvolvimento de um tema a partir de várias propostas para escolha (40)

Objectivos:
Saber responder às perguntas de forma sintética, mas com expressões completas e linguagem adequada e cuidada.
Conhecer as características temáticas e estilísticas de cada heterónimo (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos) e ortónimo
Identificar características dos ortónimo/heterónimos
Distinguir e comparar os vários Poetas presentes em Pessoa
Conhecer a geração de Orpheu, o modernismo e os seus vários “ismos”
Identificar e distinguir as várias tendências/fases presentes em Pessoa e Campos
Analisar texto do ponto de vista da interpretação e estilo
Desenvolver uma ideia de forma adequada, coerente e criativa

Material de estudo:
MANUAL: leitura dos textos do poeta (ortónimo e heterónimos) e das linhas de leitura, bem como dos textos teóricos e informativos (os textos introdutórios, os textos das “caixas” e as sínteses no final das páginas dedicadas a cada “poeta”)
Para quem sinta necessidade, a informação adicional  contida no blogue e na página moodle


Almada Negreiros, A MÁQUINA

em:

http://jocardo.blogspot.com/2011/02/almada-negreiros-maquina.html