Peça Felizmente há Luar, de Luiz de Sttau Monteiro, pelo grupo de teatro "A Barraca"
Largo de Santos, 24 de Janeiro pelas 15.00
Preço do bilhete: 7 euros
domingo, 2 de janeiro de 2011
Visita de Estudo
Marcadores:
datas,
Felizmente há Luar,
visitas de estudo
Volto a recordar a informação sobre o Diário Poético:
2º PERÍODO: DIÁRIO POÉTICO
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO (recordando):
. Título (adequação, qualidade)
. Diversidade do tipo de entradas
. Texto próprio
. Características poéticas
. Ligação aula-vida
. Apresentação, contextualização, coerência texto-imagem
. Número de entradas
. Datação e cumprimento de prazos
. Reflexão-balanço
. Apreciação global
Cada tópico pode ser avaliado entre 0 e 3. Um Diário pode ter a totalidade de 30 pontos.
1- 6- insuf-
7, 8, 9 - insuf
10, 11, 12 - insusuf +
13, 14- suf-
15, 16 - suf
17, 18 - suf +
19, 20, 21- bom -
22, 23 - bom
24, 25 - bom +
26, 27, 28, 29 - MBom
30- Excelente
DATA DE ENTREGA NO SEGUNDO PERÍODO:
21 DE Março (12º B e D)
22 de Março (12º F)
NÚMERO MÍNIMO DE ENTRADAS: 22
Marcadores:
Avaliação,
diário poético,
trabalhos
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Depois da oralidade
Leitura:
«É o meu cunhado Hussein com roupa de trabalho, umas calças velhas e uma t-shirt. Pára em frente de mim e diz:
- Olá, como vai isso? - com um sorriso. Tem na boca uma erva, que vai mascando sem deixar de sorrir. - Vou-me ocupar de ti.
Aquele sorriso... diz que vai ocupar-se de mim, e eu não estava à espera daquilo. Também esboço um sorriso, de agradecimento, não me atrevendo a balbuciar uma palavra.
- Estás com uma grande barriga, hem?
Baixo a cabeça, sinto vergonha de olhar para ele. Baixo ainda mais a cabeça e toco os joelhos com a testa.
- Tens aí uma mancha. Puseste hena de propósito?
- Não, pus hena nos cabelos, não foi de propósito.
- Fizeste de propósito para esconderes.
Olho para a roupa que me preparava para enxaguar, entre as minhas mãos trémulas.
É a última imagem fixa e lúcida. Aquela roupa e as minhas mãos a tremer. As últimas palavras que o ouvi dizer foram: «Fizeste de propósito para esconderes.»
Ele não disse mais nada, eu mantive a cabeça baixa com vergonha, levemente aliviada por não me fazer mais perguntas.
De repente senti uma coisa fria escorrer-me pela cabeça. E de súbito o fogo envolveu-me.»
Excerto do Livro “Queimada Viva” de Souad, Capitulo 9º - Morrer
Dissertação:
Introduzi o contexto social da mulher nos países da Arábia e Jordânia, mais precisamente Cisjordânia território da margem ocidental do rio Jordão actualmente ocupada por Israel.
Apontei para o desenvolvimento do meu tema a submissão das mulheres pela vontade do homem, que as maltrata, viola todos os direitos à liberdade que têm, com inúmeros ataques físicos violentos. Condicionados por crenças religiosas e consolidação de uma cultura fechada e regular, a evolução não é conseguida e continuam homens a matar mulheres indesejadas e mães que matam à nascença filhas não esperadas.
Improvisação (MEU SANGUE):
Compliquei a minha visão sobre o sangue abstracto em comparação ao sangue que corre nas veias físicas. A palavra trombose, como fluxo que espalha o meu ser e o mistura com outros alheios.
Meu sangue violado e derramado pelas mãos que deram à pedra o poder de me rasgar a pele, enterradas e apedrejadas vêem o seu sangue, que nada é por lá, escorrer pelas terras que já não são delas.
Descrição do trabalho de oralidade do aluno Luís Miguel Silva Costa nº 12 da turma 12ºD
Momento de Oralidade (o que ficou)
– Maria João Félix André nº18 12ºB
13 de Dezembro de 2010
1. Leitura
Que sentido faz a Pont Neuf (Ponte Nove), em Paris estar durante duas semanas totalmente embrulhada em tecido? Ou 11 ilhas em Miami, na Florida, serem temporariamente rodeadas por lonas cor de rosa? À partida não faz sentido nenhum. Muito menos quando não estão a ser alvo de obras ou revelações estruturais de fundo. Mas o artista plástico búlgaro Christo Javacheffe a sua mulher Jeanne-Claude provaram precisamente o contrário quando com as suas dezenas de intervenções artísticas em espaços públicos urbanos e na natureza, um pouco por todo o globo. (…) Passaram-se quase 50 anos desde que Christo e Jeanne-Claude começaram a surpreender o mundo através da ocultação de objectos, edifícios e paisagens urbanas e rurais, fortemente ligadas ao imaginário do público, produzindo um jogo de tensão e reflexão entre o visível e o invisível, entre o que existia e o que passou a existir. Provocaram emoções perante uma (nova) realidade aparatosa, bela e fantástica. (…) O artista “embrulhador” ou “transformador” não é uma divindade mas pela grandeza, morosidade e notoriedade das suas obras alcançou um estatuto de quase mito ou lenda das artes plásticas. Não responde a e-mails (tem um agente que faz isso por ele), raramente dá entrevistas e recusa quaisquer propostas ou sugestões que lhe façam sobre locais ou edifícios para intervir artisticamente.
Revista Única, Expresso 11 de Dezembro de 2010
2. Dissertação
Christo e Jeanne-Claude são autores de diversas intervenções artísticas em espaços públicos. Christo nasceu na Bulgária a 13 de Junho de 1935, e a sua mulher Jeanne-Claude em Marrocos, na mesma data. Jeanne-Claude faleceu no ano passado com 74 anos.
O casal iniciou o seu trabalho em 1961 começando logo com projectos de grande escala. O total de obras concluídas, expostas ao público foi vinte. Trinta e nove ficaram para trás por não terem obtido permissão para serem realizadas. Entre as suas obras destacam-se:
· 11 Ilhas da baía de Byscaine, em Miami, na Florida, foram envolvidas de cor de rosa, 1983;
· Embrulho da Ponte Neuf em Paris, 1985;
· O Parlamento de Berlim foi “empacotado” com 100 mil metros quadrados de um tecido especial de alumínio, 1995;
· “Wrapped Trees”, parque Berower, em Rihen, na Suíça, 1998. Foram embrulhadas 178 árvores com 55 mil metros quadrados de tecido em poliéster e 23 quilómetros de corda. Uma ideia de 1966 e que demorou 32 anos até ser concretizada;
· “The Gates”, Central Park, Nova Iorque, 2005. 7500 Cortinas de panos suspensas por traves a dois metros do chão estiveram expostas durante 16 dias no parque;
· Forrar o rio Arkansas, no Colorado (EUA), com tecido luminoso transparente suspenso ao longo de 10 quilómetros do seu caudal. Previsto para Agosto de 2014.
Apesar de demorarem anos a serem preparadas, as obras não ultrapassam as duas semanas de exposição. Os custos são integralmente suportados pelos artistas, que se servem da venda estudos, desenhos preparatórios e maquetas como fonte de financiamento dos projectos.
As obras de arte monumentais provocam emoções e criam novas realidades. Deixaram a sua marca um pouco por todo o mundo e, apesar de Jeanne-Claude já ter falecido, Christo continua a “embrulhar” e a assinar as obras pelos dois.
3. Improvisação
O pensamento de uma árvore embrulhada
Embrulhadas, as árvores estão protegidas. Toda a gente gosta de ter um abrigo, uma protecção. A cobertura facilita a exposição às condições atmosféricas. Mas será que não é essencial às árvores molharem-se, balançarem ao ritmo do vento e apanharem sol nas suas folhas? Não sei. Ninguém sabe.
A verdade é que não consigo atribuir um pensamento às árvores. Será que se sentem presas ou acolhidas? Apertadas ou protegidas?
O projecto “Wrapped Trees” de Christo e Jeanne-Claude pode ser considerado uma obra de arte ambiental. E se assim o é não pode ser outra coisa que amiga do ambiente.
De qualquer forma, não é todos os dias que se embrulham árvores.
domingo, 12 de dezembro de 2010
E depois da apresentação oral:
Leitura:
Há coisas que me dizem melhor do que eu me digo.
Eu digo que é necessário ternura sobre as mãos.
Eu digo que é necessário arrastar meteoros, comprimi-los
com muita força contra
o coração.
É necessário embater contra o silêncio, escutar
o cansaço das suas pálpebras
insolúveis, as pupilas do seu cio assoberbado
e rutilante.
Eu digo: é necessário partir, partir subliminarmente
através de âncoras. De inusitadas amarras. De mudos
girassóis incrustados na epiderme.
É necessário regurgitar falésias, clarabóias, espinhos e
leopardos, enigmas de sangue sobre as rosas
da garganta.
É necessário imigrar com a língua decisivamente até
às tuas trompas, dispersá-la sobre a convulsa febre
das carótidas, adormecê-la sobre o rumor iníquo das
tuas virilhas.
É necessário aninhar a língua no teu útero, digo: arrebatar
de uma vez por todas a sua generosidade
desdenhosa.
E é necessário urgir. Intemperar. Envenenar as víboras neurasténicas
que confundem a fome ao meu sangue, a sua amplidão louca
e desconexa.
É necessário despir-me, gritar-me, infiltrar-me no ruído incorrigível
das tuas peripécias.
Amar.
É necessário amar-te. Eu digo que é necessário amar-te. Amar-te
com o silêncio diuturno a explodir-me nas
veias. Com a inocência suprema de uma tenacíssima, delicada
candeia
dentro das inúmeras casas da cabeça. Amar-te com os olhos fugazes
de uma imperturbável criança, irascível e
intensa. Misteriosamente
submersa.
É necessário calar o meu desejo com a tua boca. É necessário aspergi-lo
furiosamente sobre a lentidão incendiária
da tua beleza nigromante, corruptora.
Eu digo: é necessário uma lanterna
avassaladora, uma segredada cicatriz à chuva
como o insólito silêncio de uma planta.
Há coisas que me dizem melhor do que eu me digo.
Diz-me melhor a tua ausência. A viperina ressonância
do teu cheiro. O perigo cúmplice do teu nome,
que de tudo o que digo irrompe
e me encadeia.
Nuno Miguel Ramalho in nunonemmais.blogspot.com
Dissertação: "O Poeta"
Conto então a história do Nuno.
Porque nasceu assim ninguém sabe, mas também não há explicação para os dons.
Conheci-o há muito e limitava-me a admirar as coisas que dizia nas raras vezes que o ouvia falar. Convivi com ele por pouco tempo e muito intensamente, a ouvir os seus ideais e ideias embriagadas de paixão. Absorvi a sua velhice jovem e a maneira como falava. Bebi a pessoa que apresentava ao mundo e apaixonei-me pelo ser que é para ninguém a não ser ele mesmo.
Como todos os "grandes" só irá ser reconhecido depois de morto. Acredito que é trágico, porque este sentimento é algo impossível de partilhar com o mundo.
Algo tão simples e complexo simultaneamente, que só vivido se irá compreender.
Improvisação: "Os meus dons"
O porquê dos dons é uma incógnita no mundo, mas que existem é inegável. São-nos dados e o nosso único dever é fazer o melhor que podemos com eles. Se nos dão um, dois ou mil, também não sei, mas ao longo da nossa vida eles vão surgindo, dependendo do que nos é pedido e da etapa que estamos a ultrapassar.
Por agora tenho dois dons. Cantar foi o primeiro que me apercebi. Não que a minha voz seja inigualável ou mesmo "boa", mas sei que tenho a capacidade de transmitir sensações e puxar emoções com o som da minha voz. O último só me apercebi recentemente. Acho que tive que ganhar alguma maturidade para perceber o que era em concreto e como o usar, mas ajudar e cuidar das pessoas à minha volta é uma necessidade que tenho e algo que sou boa a fazer, por isso, sim, é um dom.
Não sei porque me foram dados mas, por acreditar nas forças superiores, sei que têm uma razão de ser. Nem sempre têm uma explicação mas uma razão, sim. Por isso porquê questionar, se os podemos simplesmente aceitar?
Concha Sacchetti
Assinar:
Postagens (Atom)