domingo, 12 de dezembro de 2010

“O segredo das palavras”


 
Momento de Oralidade de Português
Leitura:
Priiim, Priim!
Estava deitada sobre a minha cama de lençóis verdes estampados com riscas azuis e brancas quando tocaram à campainha. Tive de largar o portátil nesta mesma frase. Pousei os meus brancos calcanhares no chão de madeira e corri para a porta. Enquanto descia as escadas para responder à campainha os meus pés gritavam por socorro, estavam sem vontade de pisar o chão, toda eu me sentia cansada de nada.
Rodei a chave e abri a porta. Do outro lado estava uma senhora, de boné laranja, bata azul escura com algumas letras estampadas. Ela sorriu para mim e perguntou-me se queria comprar felicidade. Eu respondi-lhe que não e ela muito indignada respondeu-me:
- Todos querem a felicidade.
Eu disse-lhe que a felicidade não se compra, constrói-se, tal como tudo na vida. Disse-lhe também que cada um vai e vem, ou vai e não volta conforme a maré, é preciso é saber nadar e por isso não queria comprar felicidade nenhuma.
Vi um ponto de interrogação sobre a sua cabeça, ela não estava a perceber o que eu queria dizer e eu expliquei-lhe, sem rodeios e filosofias:
- Todo o tipo de sentimentos têm de ser construídos por nós. Eu tenho de sentir paixão, tristeza, dor, felicidade e outros tantos a partir das escolhas que faço, de tudo na vida. Há coisas que não se compram, nomeadamente o amor e a felicidade também é uma delas.
A senhora olhou-me de cima a baixo e disse:
- És demasiado estranha para mim. Vou bater a outra porta, não é nesta que ganho alguns trocos hoje.
Ela lá foi. Aqueles pezinhos 37, cheios de calosidades não enganavam ninguém, ela não tinha muito e por isso vendia algo absurdo. Antes de ela agarrar o elevador eu chamei-a. Perguntei-lhe o seu nome, disse que era a Cátia. Agarrei na minha carteira, tirei 2euros e fui buscar um pacote de bolachas e disse-lhe:
- Eu não te vou comprar a felicidade que tantos tentas vender mas, em compensação vou dar-te algo para brilhar o teu dia. Guarda estes 2euros, usa-os para o que te fizer mais feliz e come este pacote de bolachas, vai-te fazer bem.
As lágrimas começaram a escorrer na cara da pobre coitada. Ela agarrou-me na mão direita e disse:
- Há coisas que não se compram mesmo, e a bondade é uma delas. Obrigada, que Deus te ajude.
Puxou a porta do elevador e tocou no seu destino.
 Sentia-me bem, cometi, não um crime mas um acto de bondade e dei pelos menos 2 minutos de felicidade a uma pessoa completamente desconhecida. PRENDAM-ME, PORQUE SOU CULPADA.

Ana Sofia Cabrita
Dissertação:
Explicação do texto: Foi dito que faz parte de um projecto que, desde há 3anos que o ando a realizar. Baseia-se num livro que comecei a escrever após uma fase bastante má em que senti necessidade de me aconchegar nas letras e nas palavras. Este texto é a introdução desse mesmo livro que se vai chamar “Foca-te” ou “To be continued”. Foi mencionado também que a introdução que foi lida não está completa.
É um livro que fala das variadas fases da minha vida e que tem como intuito servir de exemplo ao leitor



Ana Sofia Cabrita nº3, 12ºD

Improvisação do momento de oralidade: 

Todas as palavras transmitem segredos tal como todas as letras, pontos, frases e os próprios parágrafos. Eu escrevo através da interpretação que faço dos meus sentidos, o que não quer dizer que outrem entenda o que eu digo, o que eu tento exprimir. Cada um entende como quer o que lê ou o que escreve. É um ciclo de diversidade mental e sentimental mas, contrariamente a este ciclo, há um factor igual para todos os homenzinhos deste mundo: todos escondemos segredos no que escrevemos sejam eles os que forem quer “tu” entendas ou não.

Ana Sofia Cabrita nº3 , 12ºD

sábado, 11 de dezembro de 2010

O que fica depois da oralidade


“Acabo de publicar o livro Ser como um rio que flui (Editora Agir), cujo título é inspirado num poema de Manuel Bandeira. “Um rio nunca passa duas vezes pelo mesmo lugar” diz um filósofo. “A vida é como um rio”, diz outro filósofo, e chegamos à conclusão de que esta é a metáfora mais próxima do significado da vida. Por consequência, é bom lembrar durante todo o tempo que:
A] Estamos sempre diante da primeira vez. Enquanto nos movimentamos entre a nossa nascente (o nascimento) e o nosso destino (a morte), as paisagens serão sempre novas. Devemos encarar todas estas novidades com alegria, e não com medo – porque é inútil temer o que não se pode evitar. Um rio não deixa de correr jamais.
B] Num vale, andamos mais devagar. Quando tudo à nossa volta fica mais fácil, as águas se acalmam, nos tornamos mais amplos, mais largos, mais generosos.
C] As nossas margens sempre são férteis. A vegetação só nasce onde existe água. Quem entra em contacto connosco, precisa entender que estamos ali para dar de beber a quem tem sede.
D]  As pedras precisam de ser contornadas. É evidente que a água é mais forte do que o granito, mas para isso é preciso tempo. Não adianta deixar-se dominar por obstáculos mais fortes, ou tentar bater-se contra eles; gastaremos energia à toa. O melhor é entender por onde se encontra a saída, e seguir adiante.
E]  As depressões necessitam de paciência. De repente, o rio entra numa espécie de buraco, e pára de correr com a alegria de antes. Nestes momentos, a única maneira de sair é contar com a ajuda do tempo. Quando chegar o momento certo, a depressão enche-se, e a água pode seguir adiante. No lugar do buraco feio e sem vida, agora existe um lago que outros podem contemplar com alegria.
F]  Somos únicos. Nascemos num lugar que estava destinado para nós, que nos manterá sempre alimentados de água o suficiente para que, diante de obstáculos ou depressões, possamos ter a paciência ou a força necessária para seguir adiante. Começamos nosso curso de maneira suave, frágil, onde até mesmo uma simples folha o pára. Entretanto, como respeitamos o mistério da fonte que nos gerou, e confiamos na Sua eterna sabedoria, aos poucos vamos ganhando tudo o que nos é necessário para percorrer o nosso caminho.
G]  Embora sejamos únicos, em breve seremos muitos. À medida que caminhamos, as águas de outras nascentes aproximam-se, porque aquele é o melhor caminho a seguir. Então já não somos apenas um, mas muitos – e há um momento em que nos sentimos perdidos. Entretanto, como diz a Bíblia, “todos os rios correm para o mar”. É impossível permanecer na nossa solidão, por mais romântica que ela possa parecer. Quando aceitamos o inevitável encontro com outras nascentes, acabamos por entender que isso nos faz muito mais fortes, contornamos os obstáculos ou preenchemos as depressões em muito menos tempo, e com muito mais facilidade.
H]  Somos um meio de transporte. De folhas, de barcos, de ideias. Que as nossas águas sejam sempre generosas, que possamos sempre levar adiante todas as coisas ou pessoas que precisarem da nossa ajuda.
I]  Somos uma fonte de inspiração. E portanto, deixemos para um poeta brasileiro, Manuel Bandeira, as palavras finais:
“Ser como um rio que flúi
Silencioso no meio da noite
Não temer as trevas da noite
Se há estrelas no céu, reflecti-las.
E se o céu se enche de nuvens
Como o rio, as nuvens são água;
Reflecti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.”
Como o rio, as nuvens são água;
Reflecti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.”



Este texto do escritor Paulo Coelho é uma comparação bem sucedida entre a vida e o percurso de um rio, da nascente até à foz.
São muitas as vezes em que queremos arranjar comparações possíveis para explicar o significado da nossa vida. Explicar as várias etapas que estão bem definidas na nossa vida, embora pensemos que não.
Ao longo da nossa presença no mundo terrestre vamos estando expostos para inúmeros problemas, vamos enfrentar variadas situações, boas ou más.
Paulo Coelho diz “As pedras precisam de ser contornadas”. É evidente que a água é mais forte do que o granito, mas para isso é preciso tempo. Não adianta deixar-se dominar por obstáculos mais fortes, ou tentar bater-se contra eles; gastaremos energia à toa. O melhor é entender por onde se encontra a saída, e seguir adiante” com estas palavras é que, as pedras são os nossos problemas e estes devem ser contornados. Perante os nossos problemas não deveremos perder todas as nossas forças no momento em que aparecem, mas sim pensar na melhor solução para os acabar e aí com todas as nossas forças lutar contra eles.
Na minha opinião, este texto é muito inspirador para muitas etapas que já passei, passo e irei passar ao longo da minha vida. Transmite força e esperança.
Iniciámos esta viagem desde o primeiro dia da nossa vida, já estivemos diante de várias “primeira vez”, já contornámos muitas pedras, já entrámos e saímos de buracos, vamos traçando o nosso destino, tornamo-nos mais fortes à medida em que vamos vivendo. Já inspiramos e iremos inspirar até ao dia do nosso destino final.
Com este texto obtenho uma ideia mais simples e clara do nosso percurso de vida na realidade!

                      “O pensamento do Rio”

Quantas vezes não penso na vida? No que fiz bem ou no que tenho de mudar para melhorar…
Sem querer definir em tempos como queria que a minha vida fosse. Estabeleci metas para as várias etapas que penso serem as mais importantes e necessárias para mim. Em tal idade quero ir para a faculdade, depois vou para o estrangeiro durante  uns anos, depois regresso para construir a minha família e o nível de vida que idealizo, e quando já for velhinha reflicto em tudo o que já fiz, e depois… parto quem sabe para outra nascente.
Mas o que me vou apercebendo à medida que vou crescendo e vou mudando de mentalidade, é que todos os dias traço um novo destino na minha vida, nada é certo. Quando em tempos o pensamento do “rio” era um assunto em constante reflexão, hoje aceito-o como um pensamento incerto.
Hoje, por querer definir como quero que a minha vida seja, quero orgulhar-me de mim mesma e orgulhar os que me amam.


                                                                              Carolina Almeida 12ºB

Um peixe sem cor


Momento de improvisação

Normalmente, quando alguém vai comprar um peixe, escolhe sempre os mais coloridos, deixando os menos vistosos de parte. Mas cada peixe tem o seu valor, os mais coloridos sem dúvida que chamam a atenção e são belos, mas os sem cor têm outras características favoráveis: eles podem-se esconder dos predadores com maior facilidade, camuflando-se.
O peixe do filme “Big Fish” que apresentei no momento oral e na dissertação, era um peixe sem cor no exterior, no entanto tinha sentimentos muito honestos e emocionantes, o que faz com que no interior seja mais colorido do que muitos outros peixes com imensas cores, mas que não sentem da mesma forma que este. Podemos relacionar também com algumas pessoas, todos nós já vimos filmes que se passam em escolas em que um aluno que não tem o visual de que todos gostam é desprezado pelos restantes, enquanto que os alunos que se vestem e se portam consoante as “modas” são os mais queridos no mundo social de uma escola. Mas o tal aluno que se exclui desse grupo, muitas vezes, é uma pessoa muito agradável e com sentimentos igualmente agradáveis e sinceros.
Um peixe ou uma pessoa sem cor no exterior, não significa que não seja como um arco-íris no interior, basta olharmos com atenção.

Erica Lopes
12ºF nº9

Diário Poético


Escrever no Diário Poético é quase como falar para os nossos botões… basta relacionar as aulas com o nosso quotidiano.
 Não é difícil, a mim bastou-me olhar para a caixa dos botões e logo surgiram os pensamentos.
 Falo com os meus botões…
Penso com os meus botões…

Erica, 12º F