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sábado, 11 de dezembro de 2010

O lado escrito da oralidade

  • Momento de leitura: Leitura de excertos do livro A Queda, de Albert Camus

“Às vezes imagino o que dirão de nós os futuros historiadores. Uma só frase lhes bastará para definir o homem moderno: fornicava e lia jornais.”

“Sem dúvida, deve ser um homem de negócios, não é? Mais ou menos? Excelente resposta! E também judiciosa: estamos apenas mais ou menos em todas as coisas.”

“Mas sabe por que somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, jâ não há obrigações. Deixam-nos livres, podemos dispor do nosso tempo, encaixar a homenagem entre o coquetel e uma doce amante: em resumo, nas horas vagas. Se nos impusessem algo, seria a memória, e nós temos a memória curta. Não, é o morto recente que amamos em nossos amigos, o morto doloroso, a nossa emoção, enfim, nós mesmos!”

“Bem sei que não se pode deixar de dominar ou de ser servido. Todo o homem tem necessidade de escravos, como de ar puro. Mandar é respirar, não tem a mesma opinião? E até os mais favorecidos conseguem respirar. O último da escala social tem ainda o cônjuge ou o filho. Se é solteiro, um cão. O essencial, em resumo, é uma pessoa poder zangar-se, sem que alguém tenha o direito de responder.”

“Ah! caro amigo, como os homens são pobres de inventiva! Julgam sempre que nos suicidamos por uma razão. Mas podemos muito bem suicidar-nos por duas razões. Não, isso não lhes entra na cabeça. Para que serve, então, morrer voluntariamente, sacrificar-nos à ideia que se quer dar de si mesmo? Uma vez morto, eles aproveitar-se-ão disso para atribuir ao gesto, motivos idiotas ou vulgares. Os mártires, caro amigo, têm que escolher entre serem esquecidos, ridicularizados ou usados. Quanto a ser compreendidos – isso, nunca.”

“Sobretudo, não acredite nos seus amigos, quando lhe pedirem que seja sincero com eles. Só anseiam que alguém os mantenha no bom conceito que fazem de si próprios, aos lhes fornecer uma certeza suplementar, que extrairão de sua promessa de sinceridade. Como poderia a sinceridade ser uma condição da amizade? O gosto pela verdade a qualquer preço é uma paixão que nada poupa e a que nada resiste. É um vício, às vezes um conforto, ou um egoísmo. Portanto, se o senhor se encontrar nesse caso, não hesite: prometa ser verdadeiro e minta o melhor que puder.”

  • Dissertação: Breve apresentação do autor do livro, do qual foi lido um excerto.

Albert Camus nasce na Argélia, licencia-se em Filosofia. Foi escritor, filósofo e jornalista, e o primeiro escritor nascido em África a ganhar o prémio Nobel de Literatura, em 1957. A sua escrita é associada ao existencialismo mas numa entrevista, em 1945, Camus recusou qualquer caracterização ideológica.
Uma espécie de viagem às vísceras da espécie humana. Um homem, que diz ser juiz - penitente, comenta com um ouvinte que se vê perplexo e arrebatado com as histórias exemplares que representam o menu desesperante das pequenas fraquezas e dos grandes crimes do Homem. "Quando não se tem carácter, é preciso recorrer a um método." Esta frase dá o tom do livro... Não é um livro agradável. Afundamo-nos num mundo do qual participamos como “voyeurs” impotentes, fascinados, indignados, não querendo aceitar o que o narrador diz. O “juiz - penitente” chama a nossa atenção para o irremediável, diverte-se com a sua própria decadência e lança as mais odiosas suspeitas sobre a condição humana – com as quais, acabamos concordando.
Jean-Baptiste é o prepotente, o corrupto e cínico que há em todos nós (ou não haveria tanta corrupção e cinismo no mundo). Até uma certa altura, ele estava convencido que agia humanitariamente, que era um homem exemplar, bem-sucedido com as mulheres, intelectualmente brilhante, profissionalmente admirado, etc.

Um dia, um incidente deu-lhe a consciência da sua pequenez e do mal-estar irremediável do Mundo: ao passar por uma ponte, viu uma mulher, cuja intenção era óbvia, mas ele ignorou-a, até ouvir um grito. Não se voltou para salvá-la: a noite estava demasiado fria e também não se queria molhar.
A partir daí, o livro é o desabafo de alguém que não consegue escapar à sua consciência nem da culpa do Mundo, afundando-se numa auto-degradação lúcida, que só faz corroborar tudo de horrível que pensa de si mesmo e dos homens.
  • Improvisação: O Corpo Interior

O corpo interior é algo que é inerente a cada um de nós, sem forma adequada ou padrão estilizado.
É uma imagem que se vai desenhando com o tempo: algumas colagens de experiências com relevo dos desgostos e o toque de cor das vitórias. É algo que desenhamos até perecermos.
São estes os elementos que nos constroem, e por isso são os que nos definem.
E é este que perdura.

Andreia Verdugo, 12º F

O Túnel



“Com duas mãos --o Acto e o Destino--
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu
Uma ergue o fecho trémulo e divino
E a outra afasta o véu.

Fosse a hora que haver ou a que havia
A mão que ao Ocidente o véu rasgou,
Foi a alma a Ciência e corpo a Ousadia
Da mão que desvendou.

Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal
A mão que ergueu o facho que luziu,
Foi Deus a alma e o corpo Portugal
Da mão que o conduziu.

Mar Português – “Ocidente
A Mensagem – Fernando Pessoa


(foto Andreia)
Por entre as rochas, o perigo
Por entre a penumbra, a ousadia
Fosse o caminho a descoberta
Que o Português desvendaria

O túnel que tiveste de percorrer
Abriu a porta para o céu
Sendo o encoberto a razão
Foste tu que o mereceu

A luz, que ao fundo se avista
Parece pequena e melindrosa
Não fosse o lusitano iluminado
Pela coragem grandiosa.




Andreia Verdugo
12º F, Nº 5

Diário de Júpiter

Teste de Português: Composição
Tema 1

Sempre dei a mão aos lusitanos que conheci.
Não eram apenas mais uns, muito menos meros marinheiros. Eram lutadores da sua pátria e da sua própria essência, eram homens ferozes e do progresso.
Construíram e fizeram história a partir dos seus pés, mãos, espadas e navios. Enquadravam-se numa sociedade de glória. Para além de serem Portugueses, eram Portugal, no seu mais alto nível, no seu auge.
Hoje desmembraram-se, perderam as raízes. Resta apenas o caule da flor que os verdadeiros lusitanos plantaram, regaram e estimaram.
Neste momento esse caule é tudo e nada. É tudo, pois é tudo o que têm e que lhes resta, é um simples nada pois decidiram auto-destruir a sua própria essência e fragrância.
Se Hoje os ajudava a chegar à Índia? Não. Já que te destruíste sozinho, levanta-te sozinho. Não vou regar algo que não quer ser regado e recuso-me a colocar ao sol algo que não quer florescer.
É caso para dizer, cresce Portugal!


Ana Sofia Cabrita, nº3, 12ºD

A parte escrita da oralidade


 “7 de Julho
Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho é-me possível, ou inteiramente contigo, ou completamente sem ti. Quero ir bem longe até que possa voar para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos espíritos envolta contigo. Tu concordarás comigo, tanto mais que conheces a minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca… Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim?
Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Tu, amor, tens-me feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo que preciso de uma certeza na minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento?… Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso faz-me  pensar que tu receberás a carta em seguida.
Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida, alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti… em ti… em ti, minha vida… meu tudo! Adeus… queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig.
Eternamente teu,
eternamente minha,
eternamente nossos.”

Ludwig van Beethoven (Compositor Erudito Alemão, 1770—1827)


     Esta carta foi encontrada na secretária de Beethoven, juntamente com o seu testamento, depois da sua morte. As cartas não tinham qualquer identificação de destinatário, nem local, estavam apenas dirigidas à “Minha Amada Imortal”.
    Sempre houve várias especulações em volta deste mistério, porém, mais tarde veio a saber-se a identidade da mulher misteriosa, ou pelo menos, é esta a versão mais lógica e aceitável.
Chamava-se Antonie (Von Birkenstock) Brentano. Era casada e tinha quatro filhos. Mudou-se para Viena, por causa de negócios que o seu marido possuía lá, e foi através de sua cunhada que então eles se conheceram.
Ela era uma mulher muito doente, e consta que Beethoven a visitava muitas vezes e tocava piano para ela. Eles mantinham um romance secreto. Pensa-se que se encontravam sempre no mesmo local, a uma determinada hora.
Passados dois anos, Antonie parte de Viena e desde então eles nunca mais se viram. E as cartas que lhe eram destinadas nunca lhe foram entregues. Beethoven amou-a durante toda a sua vida.
Inspirado e baseado nestas cartas, foi escrito um romance “Minha Amada Imortal” e posteriormente, foi feito um filme com o mesmo nome.

Segredo
Segredo eu
No mais secreto lugar
Um tal segredo
Que não posso revelar.

Segredo obscuro será esse?
Talvez algo vulgar,
Algo sem interesse...
Porque desperta tamanho
Desejo em partilhar?

Segredo eu
No mais secreto lugar
Que esse obscuro segredo
Jamais  irei revelar.

Irina Ivanenco 12ºF, Nº13

sábado, 4 de dezembro de 2010

Trabalhos de recuperação

Para os/as alunos/as que precisarem (sentirem necessidade) de compensar o resultado do teste ou de outros trabalhos)

HIPÓTESES (para escolheres):

1. Elabora um teste sobre OS Lusíadas. Deverá ter III grupos. No primeiro deves incluir um excerto da obra e fazer 5 perguntas de interpretação e estilo.
No segundo, cinco perguntas gerais sobre as temáticas associadas a esta obra, que tenhamos estudado.
No terceiro, um tema de desenvolvimento à tua escolha.
Atribui uma cotação às perguntas, resolve o teste, corrige-o e classifica-o.
O teste não deve ser copiado de lado nenhum, mas ser absolutamente original, por ti criado. Claro que podes e deves consultar informação, principalmente o teu manual. O mesmo se aplica às respostas. Nada de frases copiadas (um professor sabe ver isso), mas deves ler, inspirar-te e depois criar as tuas respostas.

2. Elabora um teste sobre Mensagem. Deverá ter III grupos. No primeiro deves incluir um excerto da obra e fazer 5 perguntas de interpretação e estilo.
No segundo, cinco perguntas gerais sobre as temáticas associadas a esta obra, que tenhamos estudado.
No terceiro, um tema de desenvolvimento à tua escolha.
Atribui uma cotação às perguntas, resolve o teste, corrige-o e classifica-o.
O teste não deve ser copiado de lado nenhum, mas ser absolutamente original, por ti criado. Claro que podes e deves consultar informação, principalmente o teu manual. O mesmo se aplica às respostas. Nada de respostas copiadas (um professor sabe ver isso), mas deves ler, inspirar-te e depois criar as tuas respostas. 

3.  És o secretário de Luís de Camões. Antes de escrever Os Lusíadas, ele ditou-te algumas notas sobre como iria ser a sua obra. Agora vai começar a sua tarefa, e pede-te que lhe releias o que escreveste, que lhe recordes o seu plano sobre a estrutura, temáticas, conteúdos, etc. Deverá interromper-te uma ou outra vez para esclarecer melhor um determinado aspecto. Também aqui o texto não deve ser copiado de lado nenhum, mas ser absolutamente original, por ti criado. Claro que podes e deves consultar informação, principalmente o teu manual.  Nada de passagens copiadas (um professor sabe ver isso), mas deves ler, inspirar-te e depois criar o teu texto. 

4. .  És o secretário de Fernando Pessoa. Antes de escrever Mensagem, ele ditou-te algumas notas sobre como iria ser a sua obra. Agora vai começar a sua tarefa, e pede-te que lhe releias o que escreveste, que lhe recordes o seu plano sobre a estrutura, temáticas, conteúdos, etc. Deverá interromper-te uma ou outra vez para esclarecer melhor um determinado aspecto. Também aqui o texto não deve ser copiado de lado nenhum, mas ser absolutamente original, por ti criado. Claro que podes e deves consultar informação, principalmente o teu manual.  Nada de passagens copiadas (um professor sabe ver isso), mas deves ler, inspirar-te e depois criar o teu texto. 

sábado, 13 de novembro de 2010

Ponto da situação:

Chamo a atenção para a página "moodle", onde foram acrescentados textos e outros materiais de apoio para o estudo d'Os Lusíadas e de Mensagem, e ainda actualização dos elementos avaliáveis neste 1º período:

Teste, Diário Poético, Sumários, Treino de oralidade e respectivo registo escrito, Memorização de um poema de Mensagem e de uma estrofe d'Os Lusíadas, texto descrevendo e comparando um símbolo da Regaleira (ver "links" com fotos no blogue) e um poema de Mensagem, outros trabalhos adicionais, interesse e empenho (atitudes, comportamentos), assiduidade, pontualidade.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Treino de oralidade

  • Primeiro minuto: Leitura de um excerto da auto-biografia de Marina Nemat intitulado A prisioneira de Teerão.


   «A coberta que pendia da cama foi levantada e uma vaga de luz irrompeu na escuridão do meu esconderijo. Um rosto desconhecido fitava-me. Era o rosto de um jovem com cabelo negro e encaracolado e olhos escuros, os olhos mais escuros que jamais vira. O seu rosto parecia extremamente branco em contraste com o cabelo e o seu sorriso era quente e doce. Quis perguntar-lhe quem era, mas não consegui.
   - Olá - disse ele.
   A sua voz era suave e delicada, dando-me a coragem de que precisava. Saí a rastejar de debaixo da cama. Ele vestia uma longa túnica branca e estava descalço. Toquei-lhe nos dedos dos pés. Estavam quentes. Ele inclinou-se, ergueu-me, sentou-se na minha cama e pegou-me ao colo. Uma fragrância suave enchia-me as narinas; era como o perfume de narcisos num dia de chuva.
   - Chamaste-me e eu vim - disse ele, e começou a afagar-me o cabelo. Fechei os olhos. Os seus dedos corriam pelo meu cabelo, lembrando-me a brisa primaveril envolvendo o calor do sol entre os ramos de árvores que despertavam. Encostei-me ao seu peito, sentindo como se o conhecesse, como se nos tivéssemos visto antes, mas sem saber onde nem quando. Olhei para cima e ele sorriu com um sorriso intenso e afectuoso.
   - Porque não tens chinelos calçados? - perguntei-lhe.
   - Lá de onde venho não são precisos chinelos.
   - És o meu anjo-da-guarda?
   - Quem achas que sou?
   Fitei-o durante um momento. Só um anjo-da-guarda podia ter olhos como os seus.
   - És o meu anjo-da-guarda.
   - Acertaste.
   - Como te chamas?
   - Sou o Anjo da Morte.
   O meu coração quase parou.
   - Por vezes, a morte é dificil, mas não é má nem assustadora. É como uma jornada até Deus; como as pessoas só morrem uma vez, não conhecem o caminho, por isso eu guio-as e ajudo-as na passagem.
   - Estás aqui para me levares contigo?
   - Não, ainda não.
   - Ajudaste a Bahboo?
   - Sim, ajudei.
   - Ela está feliz ?
   - Está muito feliz.
   - Ficas um pouco comigo ?
   - Fico.
   Encostei-me ao seu peito e fechei os olhos. Sempre me perguntara o que sentiriam os pássaros quando planavam ao vento, banhando-se ao sol e confundindo-se com o céu, Agora, já sabia.»


  • Segundo minuto: Breve apresentação do livro do qual foi lido o exerto.


  O livro trata do preço que uma rapariga iraniana teve de pagar pela sua liberdade e principalmente pela sua vida.
   Em 1982 o Iraque estava em guerra com o Irão e eram perseguidos todos aqueles que se opunham ao islamismo fundamentalista.
   Marina Nemat tinha apenas dezasseis anos quando uma das suas aulas de matemática fora substituída pela leitura do Corão, o que a levou a reclamar contra isso e até a criticar o governo no jornal escolar. Foi arrancada a família, presa, torturada e condenada à morte por traição.
   Entretanto, um dos seus muitos carcereiros apaixonou-se loucamente por ela e tentou que a pena fosse mudada. Assim foi, comutando a pena em prisão perpétua. Mas isso custou-lhe um preço. Ela teria de casar com ele, sob a ameaça de a família sofrer se tal não acontecesse, podendo apenas sair para visitar a família com a sua autorização e sob a sua custódia. A relação dos dois foi sempre uma mistura complicada de pavor e ternura. Mas tudo isso viria a mudar quando o Ali, o seu carcereiro, acabaria por morrer nos braços de Marina, dando-lhe a oportunidade de ganhar a sua liberdade, dois anos mais tarde.
   Vendo-se livre do seu pesadelo e das coisas horríveis que fora obrigada a viver na prisão, resolve dar rumo a sua vida. Conhecendo um canadiano, acaba por formar uma família, do outro lado do Oceano Atlântico, no Canadá.
   Vinte anos depois, sentindo-se ainda presa às memórias, Marina resolve publicar o livro, contando detalhadamente a passagem dolorosa que teve pela prisão de Evin.
   Apesar de tudo, a todos os que contribuiram para a sua impiedosa caminhada, Marina oferece o maior dom de todos: o perdão.

  • Terceiro minuto: Improvisação acerca das "Ondas".


  Começo por dizer que as ondas são uma das coisas que tanto trazem paz a nossa alma, como podem deixá-la agitada.
Pessoalmente acalmam-me, mas só de longe, a observá-las. Tenho respeito por elas. São imponentes. Não gostaria de desafiar tal força da natureza.
   A primeira coisa que me ocorre é o Verão. As ídas à praia, a praia lusitana. Sím, a praia lusitana é dona de ondas superiores, em força e tamanho,  às ondas do Mar Negro, das minhas origens. Talvez por não saber nadar, acho-as superiores à natureza humana. E assim é: filhas da Mãe Natureza, transportam os genes da louca força de quem esta é dona, pondendo libertá-la a qualquer que lhe quiser fazer frente.
   Elas podem dominar-nos tanto a a nível físico como a nível psicológico. Dando a tamanha força que têm, conseguem controlar-nos e envolver-nos como um manto que nos quer proteger do frio do inverno, mas que nos consegue "sufocar" de tanta protecção. Mas se pensarmos bem, se estivermos num estado melancólico, elas atraem-nos e deixa-nos flutuar mais e mais, de maneira que nos afundamos em pensamentos e perdemos o rumo e a noção da realidade.
   As ondas são donas de sí e de tudo o que se encontra à sua volta, não dando oportunidade de justificação nem tendo porquês de serem assím.

Iustina, 12ºB

domingo, 7 de novembro de 2010

Diário Poético

E outra proposta (para relacionar com uma das narrativas):

"O momento em que pensamos ter compreendido tudo dá-nos ar de assassinos. "
Emil Cioran

Diário Poético

O poema abaixo destina-se a um desafio que vos fiz para uma das páginas do vosso diário poético: relacionar este poema com uma das narrativas lidas na aula.

Treino de Oralidade:



1:

“Desta vez não pude segurar as lágrimas. Esmurrei o peito forte e libertei a angústia que me consumia. Tristan não tentou demover-me do pranto. Confortou-me apenas, como se conhecesse intimamente a minha necessidade de desabafar. Murmurou-me palavras doces e embalou-me carinhosamente, até que o silêncio nos abraçou, e o tempo caiu sobre nós como gotas de chuva.
Não sei em que momentos a raiva e a mágoa se desvaneceram e o prazer da sua proximidade se tornou mais forte do que tudo. Quando procurei o seu olhar, encontrei-o marejado de lágrimas. Tristan não se perdoava pelo que dissera. Mesmo que eu afirmasse mil vezes que não havia o que desculpar, ele continuaria a macerar-se por ter desconfiado da minha lealdade.
Sem controlo da vontade, acariciei-lhe a face quente com as pontas dos dedos, surpreendendo-me com o seu sobressalto. Sabia que estava a brincar com o fogo, mas nem pensava em parar. A barba rija arranhava-me a pele; contudo, não era desagradável. Pelo contrário, provocava-me arrepios de calor. Deixei a mão deslizar pelo seu rosto, fixando o olhar nos lábios entreabertos, imaginando como seria bom sentir o seu toque e desejando-o.
 - Cat…
O apelo de Tristan era um pequeno e vão protesto; um aviso de que a situação estava a fugir do seu domínio. Um aviso inútil, pois os seus olhos declaravam que já não existia força no mundo capaz de nos separar.
Quando os meus dedos se entrelaçaram nos cabelos negros, os lábios de Tristan desceram e o meu gemido de antecipação afundou-se na boca ávida. O beijo de Oliver fora uma experiência estranha e traumática, que me deixara insensível perante o seu entusiasmo. O beijo de Tristan foi indescritível. Os seus lábios começaram por mover-se com um carinho quase fraternal. A forma como estremecia, denunciava um tremendo esforço para controlar a vontade de me devorar. Temia assustar-me! Contudo, ao aperceber-se do meu arrebatamento, deixou-se possuir pelo ardor e apertou-me com mais força, explorando a minha boca, tal como Oliver fizera. Só que, desta vez, todos os meus sentidos estavam despertos e receptivos. Deliciei-me com o sabor da sua saliva e entreguei-me sem reservas. Senti-me levitar e cair, com o corpo a arder e a mente a delirar. A paixão era isto? Então, eu queria mais!”

CARVALHO, Sandra. A Última Feiticeira. A Saga das Pedras Mágicas. Editorial Presença.











2- Dissertação:

A Saga das Pedras Mágicas estreou-se com o livro “ A Última Feiticeira”. Conta-nos toda uma história de fantasia passada no tempo em que os Seres Superiores, poderosos feiticeiros, viviam isolados da espécie humana de forma a não existirem quaisquer eventualidades que pudessem gerar conflitos entre espécies. No entanto, uma feiticeira de nome Arawen renunciou aos seus poderes mágicos para se poder casar com o mortal por quem se apaixonara. Para que esses poderes não fossem desperdiçados, ela guardou-os dentro de sete pedras mágicas, destinando cada uma delas aos seus filhos. Ao longo das gerações, estas pedras vão sendo cobiçadas quer por mortais quer por feiticeiros, originando diversas peripécias.
No entanto, como regem as regras dos contos de fadas, o destino das personagens iguala-se ao apaixonante ambiente que as rodeia e, quase que por obrigação, o “mal cai e o bem triunfa”.
A autora desta saga tem o nome de Sandra Carvalho, nasceu em 1972, em Sesimbra. A sua história como escritora resumia-se a contos destinados aos seus entes mais queridos, mas com a estreia deste livro foi surgindo mais um todos os anos, perto da época natalícia.
Assim, o seu potencial literário é publicado e torna-se no seu ganha-pão (como que uma solução para as compras de Natal) e numa escapatória para todos os leitores que gostam de se imaginar fora de um Mundo onde as crises têm um início e um meio, mas nunca um fim.
Estas histórias são cativantes e apaixonantes pela magia que transborda das suas páginas, é impossível ficar-se indiferente a tamanha beleza e tranquilidade, descrita através de palavras calorosas.
A escrita de Sandra Carvalho apesar de correcta e bem estruturada, nota-se ainda algo juvenil como que em fase de aprendizagem surgem palavras “caras” de forma exageradamente repetida, como por exemplo a palavra “algoz” (medo): é nos dada a ler tantas vezes que nos oferece a ideia da autora, de forma frenética e desesperada, agarrada a um dicionário à procura de uma palavra extravagante para tornar o seu texto mais rico.
Contudo, confesso-me uma amante da vida e, em paralelo, dos sonhos. Poder imaginar-me num equilíbrio entre os dois faz-me ansiar pelo devorar dos próximos livros.   

3- Momento de Improvisação:



“Casas”

No singular, uma casa é um abrigo, o nosso abrigo.
É nada mais que um espaço fechado que nos oferece o dom de abrir e fechar a porta, podendo optar por aquilo que entra e nos apazigua o espírito e aquilo que fica lá fora em junção com todas as outras tormentas.
A nossa casa é o nosso reflexo. É o local que nós escolhemos para podermos ser nós próprios e podermos ser as figuras de autoridade.
A nossa casa é a nossa oportunidade de refúgio; e as casas…, bem, essas são os pertences de alguém cheio de sorte, alguém cuja vontade de fuga pode ser sempre respondida com espaços abertos para si, mas fechados para o resto do mundo.


Mariana Fonseca, 12º F

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Código de correcção dos textos

E:  falta ou perturbação de espaços de parágrafo.
Si: sintaxe
Se: sentido
L:  léxico
M: morfologia
R: repetições
A: acentuação
P: pontuação
O: ortografia
MSi: morfo-sintaxe
Mm: troca maiúsculas/minúsculas            

domingo, 24 de outubro de 2010

Treino de Oralidade

1. Leitura:


A Casa

eu conhecia a distância entre as paredes. caminhei muitas
vezes pelo corredor. a sala: o sofá grande, a janela fechada
para a rua, o quadro bonito e antigo: a sala: estas palavras e
este verso podiam ser o corredor se as palavras fossem
a tinta nas paredes: a cozinha: a mãe a contar-me
histórias, a mesa, a água que lavava os talheres, o lume do
fogão. a cozinha era onde estávamos felizes.
quero que a casa fique desenhada:
quarto,      escada ,      despensa,      sala,
casa de banho,      corredor      corredor,
cozinha      cozinha,      escritório.
depois, subia as escadas:
despensa,      quarto,      quarto,
despensa,      corredor,  casa de banho,
despensa,      escadas,     quarto.
depois, descia as escadas.
eu, na cozinha, chamava a minha mãe. a minha voz: mãe.
a minha mãe respondia-me: estou aqui. e estava num dos
quartos de cima. eu subia as escadas para a encontrar.
de manhã, eu acordava e descia as escadas.
sem que eu soubesse, os anos passavam na casa. sem que eu
soubesse, a minha mãe e o meu pai envelheciam. a casa era
toda de claridade e eu não sabia que iria envelhecer assim que
saísse de casa.
havia janelas e havia portas. eu subia para cima de cadeiras
para abrir as janelas. da janela do meu quarto, via o mundo.
sei hoje que poderia ter vivido sem mais mundo do que esse.
sei hoje que transformei o mundo todo nessa casa. chamo a minha
mãe. está num dos quartos de cima. está muito longe. chamo o meu
pai. está muito longe.


PEIXOTO, José Luís. A Casa, a Escuridão. Lisboa. Temas e Debates. 2002


2. Dissertação:

Aung San Suu Kyi (Rangum, 19 de Junho de 1945)

Líder da oposição política no Myanmar, nasceu em 1945, em Rangum, filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia que foi assassinado quando Suu Kyi tinha apenas dois anos de idade. Depois de ter vivido em Londres durante alguns anos, Suu Kyi regressa à Birmânia em 1988, ano da morte da sua mãe. O seu regresso à Birmânia, entretanto denominada Myanmar, coincidiu com a eclosão de uma revolta popular espontânea contra o regime, contra vinte e seis anos de repressão política e contra o declínio económico do país. Assim, Suu Kyi tornou-se, em pouco tempo, líder do movimento de contestação ao regime.
            Nesse mesmo ano, morreram 10 000 pessoas como consequência das medidas repressoras adoptadas pelo regime em resposta à revolta popular. O partido de San Suu Kyi e Tin U (Liga Nacional para a Democracia) obteve uma esmagadora maioria nas primeiras eleições multipartidárias, em trinta anos, de 1990 mas as forças militares continuaram a controlar o poder, depois de impedirem os líderes do partido de governar, mantendo Suu Kyi sob prisão domiciliária e deslocando Tin U para o Oeste. A Birmânia continuou assim a ser dirigida pelo general Ne Win num regime militar ditatorial baseado na opressão, na repressão e no controlo. Em 1990, Suu Kyi recebe o prémio Sakharov, relativo à liberdade de pensamento, e em 1991 é galardoada com o Prémio Nobel da Paz.
            Em 1995, o regime decide anular a pena de prisão domiciliária imposta à Prémio Nobel como demonstração de abertura política e democrática à comunidade internacional. Mesmo assim, as liberdades de Suu Kyi continuavam a ser bastante limitadas e controladas. Nos anos seguintes, apelou à comunidade internacional para isolar o regime militar no poder, na sequência da política de repressão e de contínuas perseguições aos activistas da oposição. Em Setembro de 2000, a activista anunciou que iria fazer uma viagem até Mandalay, no nordeste do país, como desafio às decisões governamentais sobre o levantamento da sua pena de prisão domiciliária (que, assim sendo, não a poderia impedir de viajar) foi detida na estação ferroviária, bem como outros membros do partido, e enviada novamente para prisão domiciliária. Desde há 22 anos, quando começou esta luta, Suu Kyi passou 16 em prisão domiciliária.
Algumas reacções da comunidade internacional:
-  Em 2000, o grupo U2 homenageou-a com uma música chamada “Walk On”;
- Em 2003, em Nova Iorque, ocorreu uma manifestação pela libertação de Aung San Suu Kyi;
-  Em 2007, recebeu em sua casa Ibrahim Gambari, enviado pelas Nações Unidas numa tentativa de mediar conversações entre o poder e a oposição;
-   Em 2008, aquando do seu aniversário, cerca de um milhão de apoiantes, liderados por monges budistas, manifestaram-se, em frente à sua casa, contra a junta militar num apelo à democracia;
-   Em 2008, Suu Kyi foi classificada pela revista Forbes como a 71ª mulher mais poderosa do mundo.

3. Improvisação:

 
Improvisação Oral: Casa

Talvez porque te queira definir demasiadas vezes deva começar de forma substancialmente banal: “A casa é onde o coração está”.
Já debitei. Agora
Assumes-te como um espaço, como um ser, um estado de espírito.
Transformas-te, lentamente, numa conquista e amadureces, depois, para uma obsessão. Eu acompanho-te, ao longo do caminho, porque preciso de te viver por dentro.
Seja talvez por te ter figurado em demasia ou por te ter sentido sempre demasiado distante, procuro-te como me procuro a mim; com a mesma cadência frenética, com a mesma esperança deslustrada.
Talvez estas divagações sejam infrutíferas e o que eles queiram mesmo saber é onde é que eu vou depois do trabalho, onde é que me entrego às ocupações e obrigações da vida normal. Talvez te queira explicar por excesso e eles só queiram a minha terráquea morada!
(Não, não…Não vou perder esta oportunidade. Agora que estamos frente-a-frente não te vou deixar por resolver. Senta-te, por favor, temos sobras por conversar…)

Talvez por me teres dito sempre tão pouco
Por, paradoxalmente, me teres acompanhado tanto
Por te ter atulhado com os meus ideais brilhantes
Por seres só a realidade
Por seres a realidade
E por seres a minha realidade
Por ir ter contigo todas as noites
Por seres um acumulado de definições transcendentes que precisam necessariamente de fazer sentido
Por te ter(es) transformado num espaço tão menos físico que mental
Por te ter assumido como um armário de átomos exibicionistas de educações, costumes e tradições
Por te teres domiciliado na minha cabeça, todos os dias, todos os meses, todos os fins-de-semana.

Oh sim…. Os fins-de-semana!
Malditos, esses! Que me transformam numa eremita nómada

Que me tiram a identidade
E ma devolvem, um pouco mais tarde
Que vão brincando levianamente às casinhas
E esperam que eu os escolte
Que me atacam com um carinho sádico por tudo o que fui
O que serei e o que fiquei a dever

Que me transformaram num comboio em movimento
Num terminal de autocarros, numa mochila às costas
Em direcção a um qualquer êxodo cosmopolita
A um qualquer sítio mais confortável
Porque, ao fim de algum tempo, já todos os espaços fazem comichões.


Queria só explicar-te que já não tens o poder todo:
A minha casa sou eu, vazia dos teus materiais
Cheia da minha conduta, da minha moral, do meu lugar intelectual
Invadida pelas minhas nobres pessoas, esquizofrenias e afins
Preenchida pelos meus companheiros, pelas minhas pequenas vidas.

Agora, sinto-me livre…



Vem…. Vem culpabilizar-me à Rua do Ermo Ambulante, no Largo do Despovoado Nómada, no número variável da solidão, no Lugar da Magistral Alienação deste mundo perverso. Mas vê lá é melhor avisares antes, posso não estar em casa…



Ana Sofia Pires, 12ºF