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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Diário Poético, "A Beleza do Mundo"

"(...] de um lado estavam a descobrir a cada momento novas curiosidades a satisfazer, estavam a ganhar gosto por aquelas leituras e aqueles estudos como nunca antes tinham imaginado; por outro lado estavam ansiosos por voltar para junto das outras pessoas, por retomar o contacto com a vida que lhes surgia agora tanto mais complexa quanto mais renovada aos seus olhos; [...]"
"Um general na Biblioteca", in: CALVINO, Italo. A Memória do Mundo. Lisboa. Teorema. 1995

É isto que pretendo com os diários poéticos dos alunos: que sejam a aprendizagem e a demonstração de como os textos literários podem contribuir para outro olhar sobre o mundo: uma visão mais acutilante, mais complexa, aberta, mais espantada, mais ética, mais estética, mais apaixonada, mais inteligente, mais vibrante.

domingo, 7 de novembro de 2010

Diário poético, A Beleza do Mundo

Pensava hoje que tenho pena que a versão de Mensagem lida pelos alunos esteja na grafia actual. Por essa razão, apeteceu-me colocar aqui um dos poemas estudados tal como foi escrito pelo poeta:


D.SEBASTIÃO
'Sperae! Cahi no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervallo em que esteja a alma immersa
Em sonhos que são Deus.
 
Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura,
É Esse que regressarei.
 
Aqui fica, também, a ligação para uma página onde podem encontrar os poemas na versão original (a imagem pertence à mesma página):
 

Diário Poético

E outra proposta (para relacionar com uma das narrativas):

"O momento em que pensamos ter compreendido tudo dá-nos ar de assassinos. "
Emil Cioran

Diário Poético

O poema abaixo destina-se a um desafio que vos fiz para uma das páginas do vosso diário poético: relacionar este poema com uma das narrativas lidas na aula.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Diário Poético: A beleza do mundo

"O Sol, logo em nascendo, vê primeiro"
Os Lusíadas, Dedicatória, estrofe 8

Agora, no caminho para a escola, o sol já está mais alto. É menos noite, ou mais dia, menos misterioso e mais acordado, o caminho. Já não lhe vejo o nascer ao passar, ele já não me vê ao nascer quando passo.
Está mais alto e tenho de me virar para trás para o ver. Mas sinto-o a seguir-me. Aquece-me a sombra. Solarmente.

domingo, 31 de outubro de 2010

Diário poético, A Beleza do Mundo

A saudade do Futuro

Estávamos num colóquio e falava-se do fado. Não era sobre o fado, mas veio à baila. Eu disse que durante toda a minha vida, quase até hoje, fugi do fado como o diabo da cruz. Assumi que não gostava, que não me fazia sentir bem, que do ponto de vista estético e ideológico  os textos não me agradavam, que as músicas eram pobres, etc, etc, que o fado representava, para mim, o que existia de mais depressivo e decadente na nossa maneira de viver.
Depois, muito recentemente, compreendi que o que eu evitava era aquele sentimento que se insinuava em mim quando o ouvia: uma insuportável saudade sem saber de quê.
Falávamos no outro dia, numa das aulas, sobre a Mensagem, e também a propósito da História do Futuro, do Pe António Vieira
(http://www.triplov.com/letras/historia_do_futuro/index.htm),
acerca do quinto Império como uma aspiração a algo que já conhecemos e que, portanto, poderá despertar em nós uma por vezes doce, por vezes incómoda saudade... do futuro.
Seria disso que eu fugia? Do... sentir?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Diário Poético, "A Beleza do Mundo"

                            foto R
No caminho para a escola, em tempo de Lua cheia, embora já um bocadinho comida numa das partes, a irregularizar o perímetro, "soa-me" o poema de Ricardo Reis, porque Ela, a Bela, acompanha-me nas subidas e descidas e no meu repousar, a subir, do olhar.

“Para ser grande, sê inteiro: nada
        Teu exagera ou exclui.
                      Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
            No mínimo que fazes.
                      Assim como em cada lago a lua toda
            Brilha, porque alta vive.”

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Diário Poético, "A Beleza do Mundo"

                            foto R
Avenida General Roçadas, oito horas da manhã, à esquerda, os prédios, à direita, o "sol que abre os céus"*.
Dois cães a pastar, como Caeiro, e no descampado, onde um dia se erguerá mais um prédio, de frente para o sol, uma cadeira de plástico com uma perna partida, poltrona virada para o espectáculo do nascimento da Estrela, Rei ou Pai.

* Poema "Ulisses", in Mensagem, Fernando Pessoa

domingo, 12 de setembro de 2010

Diário poético



Um pequeno caderno ou bloco que possas transportar sempre contigo. Uma segunda pele. A tua pele poética. Nele registarás os resultados da tua atenção à poesia do mundo. Verificarás que a poesia está em toda a parte, que os poemas que estudamos nos manuais são apenas a parte mais ínfima e mais apagada do que a poesia pode ser. E no entanto, até ali ela brilha, tal é a poderosa luz. Ela está presente nas aulas, onde andamos a estudá-la, mas também na rua, no autocarro e no metro, na publicidade, nas palavras da tua irmã mais nova, na biblioteca dos teus pais, na do teu avô ou do teu bairro, num programa que viste na televisão, no olhar de um amigo ou de uma amiga, na fachada de um prédio, no rio, nas nuvens, na relva que cresce por entre as pedras da calçada. E dentro de ti.
Na sua forma mais pura é a expressão dos sentimentos e emoções do sujeito poético. Na sua origem foi música, como sabes, daí que ainda mantenha algumas formas de musicalidade ao nível do ritmo, rima, aliterações, anáforas, etc.
Deves procurá-la sob todas as formas: poemas de todos os povos e de todos os tempos, em prosa e em verso. Poemas de que tenhas gostado (de autores do programa, de outros poetas).
Os poemas podem ser inteiros, versos ou frases (prosa poética). Podem até não pertencer ao modo lírico, mas textos pertencentes a outros modos literários. No entanto a poesia deve "andar por lá". Podem ser criados por ti, recriados por ti, copiados ou transcritos de algum sítio. Deves sempre indicar o autor e a proveniência.
No teu diário podes também, para além dos poemas (teus ou alheios) incluir narração de acontecimentos, comentários a episódios observados ou ouvidos, aspectos falados na aula que tenham merecido a tua especial atenção, pessoas que por si mesmas sejam um poema, experiências poéticas que tenhas vivido. Comparação de excertos de poemas com episódios da vida, experiências directas que tenhas tido ou de que tenhas tido conhecimento. Procura, nas falas das pessoas da rua, vestígios de uma tradição poética popular.
Podes ir a uma biblioteca e fazer uma pesquisa sobre poetas e  poesia e relatar essa tua pesquisa.Mas o teu trabalho não pode consistir apenas nisso. Podes ainda interrogar pessoas sobre poesia, literatura, sobre os escritores e poetas que conhecem e preferem, poemas ou livros que amam ou amaram, livros de poesia  (ou outros)  recomendados. Podes tentar falar com um escritor, um poeta, um dramaturgo. Podes até trazê-lo à aula.

O que é possível colocares no teu caderno, para além da poesia: colagem, fotografia (feita por ti), desenho (teu), colagem (por ti), objecto (encontrado por ti). A inclusão das imagens ou objectos não deve ser aleatória, mas deve perceber-se o sentido e ser contextualizada (com poesia, texto literário,  ou uma situação poética/literária/estética por ti descrita)

O que este diário não é:
- cópia da internet ou de outro sítio qualquer
- algo teórico
- feito por atacado na véspera da entrega
- algo lamecha ou banal, também não deve ser mero desabafo emocional ou sentimental

É um olhar profundo, diferente e estético sobre o mundo (o que está fora e o que vive em ti), é a manifestação de um sentimento ou de um olhar estético perante a estranheza ou o esplendor da vida.
Acima de tudo, procura andar por aí de olhos bem abertos, atento à poesia da vida e traz isso para o teu caderno/bloco, preferencialmente sob a  forma de texto (não te esqueças que esta é uma disciplina de Português), mas podendo ser ilustrado com foto, desenho, colagem, objecto.

Não esquecer:
- Identificar sempre o autor   dos textos (quer sejas tu ou outro); se fores tu, assinas, se for alheio, deves indicar o nome e a proveniência. Se ouviste na rua, deves dizê-lo e em que circunstâncias.
- Ter um mínimo de 2 entradas semanais entre a  segunda semana de aulas e a penúltima (inclusive).No final de cada período o teu Diário será alvo de uma avaliação.
- Colocar sempre a data de cada entrada.
- No final, uma reflexão sobre a forma como decorreu o processo, uma avaliação do resultado, pontos fortes e pontos fracos.
- O título pode ser colocado no final do 1º período
- Data de entrega: a definir em breve