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sábado, 9 de abril de 2011

Arte Poética (criada a partir de passagens recolhidas de poetas (a sublinhado) e texto dos alunos

Para mim a poesia é: 

algo que vem de dentro,
que
cá fora se transforma em palavras
"em que a alegria é feita de um tormento"
que, "evoca uma humilde aparência"


o pensamento passa a "olhar duas vezes para as coisas" que nos rodeiam
É um novo modo de "usar uma coroa"
"só o medo pode dizer o seu nome"
e não me deixa seguir em frente,
continuar a escrever,


"pedi à vida mais do que ela me dava",
 agi sem motivo aparente
ao "puro   ritmo do coração"
que queima a harmonia
 
 
Beatriz Serrão

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Arte Poética (criada a partir de passagens recolhidas de poetas (a sublinhado) e texto dos alunos


Arte Poética
“Um olhar gelado que me abrange da cabeça aos pés

Sinto-me num desamparo constante sempre que tento descodificar aquilo que me é tão estranho, “arte poética?!”. A definição de arte é um desafio que considero impossível. A poesia, aos meus olhos, é como um monstro aterrorizador, que me faz sentir nada mais do que sentada nos calcanhares, à espera que alguém sopre com fôlego, para que possa tombar de uma vez… E “arte poética?”, “arte poética” é como ver esse monstro a crescer e a crescer…sem nunca mais parar.
Esse monstro que tanto evito arrepia-me, sinto-o como um forte avançar de passos acompanhados de um respirar felino… E por mais que essa respiração abrande, não por piedade, mas para esboçar um sorriso de triunfo, para troçar de mim como se pudesse exclamar por entre dentes…: “- Despe-te! Para mim és culpada!”; deixa-me tão fria, crua e nua… como se um trapo em volta da cintura fosse tudo aquilo que cobrisse o meu corpo.
Ah como só anseio que a morte se cerque do meu raciocínio punindo-me por não ser capaz de rodar a manivela do mundo!
É uma pressão imensa, transforma os dias em dias de febre na minha cabeça. As ondas de sombra teimam em não quebrar nas esquinas e atravessam-me os cornos.
Sinto-me estrangulada dos pulmões à garganta!
Conheço-me incapaz de me dissolver em enredos bizarros. Subornava a fera se possível! Alimentá-la-ia se fosse essa a chave! Dar-lhe-ia de mamar três vezes!
Sinto-me acorrentada a uma esperança ilusória e exaustiva de conseguir travar esta batalha e entender os rugidos da água. Ingénua! A bússola encontra-se enterrada e eu não manipulo mais do que o objectivo, como que limitada pelo vermelho da maçã e o brilho do mar.
Bolas! Desejo a ambiguidade como uma órfã deseja fortuna!
Apetece-me desaparecer numa nuvem, mas o rumor de cada passo aumenta em sintonia com o meu receio e vejo-me medrosa em demasia para desistir. Nada para. Eu não paro, os passos não param, e uma náusea infinita explora todos os cantos da minha mente, exterminando as comédias da minha alma.
Continuo asfixiada por aquele dom de tornar as almas mais pequenas. Já só desejo olhar os meus pezinhos enlameados e centrar-me na nostalgia do túmulo, fazendo do andar nu o maior feito.
A fera rosna-me, mas nunca se verga à minha vontade, apenas suga os versos brancos que eu julgo pintar, resumindo-me a uma fala muda. Com a boca já só mordo o ar e finco a minha teimosia de que a noite não tem seios e jamais me dará a provar alguns sabores
Nasci desamparada pelo amanhecer, foi sozinha que nasci, num tempo que não teve tempo de começar, pois a maravilhosa morte da minha alma tinha já começado ao fim do dia.
Se eu tivesse ao menos um nome…

Mariana Fonseca

Arte Poética (criada a partir de passagens recolhidas de poetas (a sublinhado) e texto dos alunos


Arte poética do (ainda) não poeta

            Encontro-me “sozinho num beco” e bato-me “esburacado por insuspeitas espirais”, subtraio “aos olhares das pessoas” os seus incómodos sensoriais, revelo como fotógrafo, a “assimetria dos homens” no “acontecimento do homem honesto”.
            Calmamente acomodo o meu “irritante estímulo da sensibilidade” nas “testas que se” franzem “ocupadas por uma repentina preocupação”, nos “cafés da minha preguiça”, neste “país” que me “mata lentamente”. Ele, o estímulo, sabe que “estou aqui só por estar”, que me contento com o vagaroso passar das “longas semanas invernais”, com o ritmo das “luzes da cidade a acender-se”. Ele, o estímulo, ri-se de mim e da minha penosa inteligência “em tudo o que não é” comigo, ri-se da minha satisfação por “estar sozinho em casa a dar à manivela do mundo” e ri-se, ri-se muito da minha “raivosa diligência” em “exprimir dúvidas sobre a pureza das ideias”. É, no entanto, este estímulo trocista e sarcástico que me faz avançar proporcionando-me “estas relações entre as coisas”.
            Sento-me para escrever, “atrasado no que devo à eternidade”, e concluo que “onde há pessoas há moscas”…Que “decrepitude mesmo diante de um espantalho sinto vergonha!” Mas prossigamos meus caros prossigamos! Ia eu caminhando e divagando se não estaríamos nós, os ditos poetas, “a inventar novos sistemas para nos livrarmos da nossa situação” criando um “compêndio da história da Humanidade” com “tratados da vida das pessoas” e assim “como um livro as pessoas tinham princípio, meio e fim”. Espantei por uns segundos, vossas senhorias, não é certo? Decidi por uns parágrafos “pôr ciência na minha vida”. Mas não esqueceis que por bem “tudo na vida é comum tudo no mundo concorre”.
Retomo prontamente à “felicidade irrecusável nua e inteira” do “esplendor da presença das coisas”, pois não fossem as coisas e “a obra de arte” não faria “parte do real”. “Um círculo traçado à volta de uma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso”, “o interior é como o exterior das coisas” e chove “chuva de primavera” quando “uma menina ensina o gato a dançar”.
“Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno””era assim que os mestres iam escrevendo as palavras que hão-de salvar a Humanidade”. E é assim que pulsa a minha “respiração das palavras” nesta “profunda tomada de consciência” e é assim que carne e matéria se unem em “louvor e protesto” para “que estas palavras” fiquem “escritas por causa dos outros também” e é pelos outros também que eu, o artista, com a minha “obra perfeita que” me ”mete nojo” pretendo salvar o que resta da nossa humanidade. Afinal, já que a política é uma arte, a Arte é uma justiça.

Ana Sofia Pires

Arte Poética (criada a partir de passagens recolhidas de poetas (a sublinhado) e texto dos alunos


Arte Poética

Uma vez um poeta me disse
“Decidido a retomar o fio interrompido dos seus pensamentos”
Que escrevesse todos os meus momentos
Como se a uma ninfa pedisse
Que no “carmim que encontro na tua boca”
Não a encontre agora cinzenta e rouca

“Numa rua um tanto solitária”
Apodrecia esse poeta.
Para saíres dessa melancolia que não te liberta
Tens de te “pôr numa rua cheia de gente” pouco solidária
Cheia de “olhos que não te consideram”
“Mas que não podes passar sem olhar” para os que não te libertam

Tal como “o cipreste contempla o seu próprio silêncio”
Tens de ler “algo que não estava escrito”
E ver aquilo que ainda não foi visto
Só assim, meu amigo, sairás desse teu silêncio
E destruirás “ aquele sorriso paciente e irónico”
Com as tuas palavras, e ele tornar-se-á num doente crónico

Com “histórias de um minuto”
Pelas tuas palavras vais contar “a memória do Mundo”
Que te levou e deixou lá no fundo
E a história de como tu deixaste de ser diminuto
Porque ao saberes que “ o mal compra o mal”
Contarás que o facto que “ambos se entendem, compram e vendem” não é anormal

Assim, meu amigo, meu filho, meu poeta
Com teus vocábulos, cantigas e distantes terras
Exaltarás o “povo exaltado como vítima heróica de guerras”
Indicando-lhes o caminho do divino, do amor e a Nossa meta
Por fim, com palavras apaixonadas glorificadas por ti
“Lá onde o amor não pode morrer, nem ser quebrado”, “que se lembrem de mim”...




Vasco Custódio
12º B

Arte Poética (criada a partir de passagens recolhidas de poetas (a sublinhado) e texto dos alunos


Sinto-me perdida numa busca incessante de uma definição. Porque eu acordo e não sai um poema.
A poesia era a beleza que tanto procurava e não alcançava. Evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Um dia ergui-me da secretária e comecei a afastar-me das palavras.
Tentei mergulhar às profundezas da poesia. Fui envolvida por ondas transparentes, frias e subtis. Percebi que um poema não é mais que um mar de sentimentos. Há momentos em que as ondas nos enrolam outros em que nos conduzem até à praia. Às vezes penso que me engoliu um peixe enorme, que me levou para longe, e tudo se torna demasiado imperceptível.
Mas quando as águas baixarem vai ficar tudo na mesma. E eu vou continuar perdida, mas sempre à procura do que de poético existe.
Há momentos em que a beleza vem ao meu encontro. E diz-me “Desculpa a pergunta mas há quanto tempo estás cega?”
Retomo o fio interrompido dos meus pensamentos. Chego à conclusão que é apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor.


Maria João André