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sábado, 11 de dezembro de 2010

O que fica depois da oralidade


“Acabo de publicar o livro Ser como um rio que flui (Editora Agir), cujo título é inspirado num poema de Manuel Bandeira. “Um rio nunca passa duas vezes pelo mesmo lugar” diz um filósofo. “A vida é como um rio”, diz outro filósofo, e chegamos à conclusão de que esta é a metáfora mais próxima do significado da vida. Por consequência, é bom lembrar durante todo o tempo que:
A] Estamos sempre diante da primeira vez. Enquanto nos movimentamos entre a nossa nascente (o nascimento) e o nosso destino (a morte), as paisagens serão sempre novas. Devemos encarar todas estas novidades com alegria, e não com medo – porque é inútil temer o que não se pode evitar. Um rio não deixa de correr jamais.
B] Num vale, andamos mais devagar. Quando tudo à nossa volta fica mais fácil, as águas se acalmam, nos tornamos mais amplos, mais largos, mais generosos.
C] As nossas margens sempre são férteis. A vegetação só nasce onde existe água. Quem entra em contacto connosco, precisa entender que estamos ali para dar de beber a quem tem sede.
D]  As pedras precisam de ser contornadas. É evidente que a água é mais forte do que o granito, mas para isso é preciso tempo. Não adianta deixar-se dominar por obstáculos mais fortes, ou tentar bater-se contra eles; gastaremos energia à toa. O melhor é entender por onde se encontra a saída, e seguir adiante.
E]  As depressões necessitam de paciência. De repente, o rio entra numa espécie de buraco, e pára de correr com a alegria de antes. Nestes momentos, a única maneira de sair é contar com a ajuda do tempo. Quando chegar o momento certo, a depressão enche-se, e a água pode seguir adiante. No lugar do buraco feio e sem vida, agora existe um lago que outros podem contemplar com alegria.
F]  Somos únicos. Nascemos num lugar que estava destinado para nós, que nos manterá sempre alimentados de água o suficiente para que, diante de obstáculos ou depressões, possamos ter a paciência ou a força necessária para seguir adiante. Começamos nosso curso de maneira suave, frágil, onde até mesmo uma simples folha o pára. Entretanto, como respeitamos o mistério da fonte que nos gerou, e confiamos na Sua eterna sabedoria, aos poucos vamos ganhando tudo o que nos é necessário para percorrer o nosso caminho.
G]  Embora sejamos únicos, em breve seremos muitos. À medida que caminhamos, as águas de outras nascentes aproximam-se, porque aquele é o melhor caminho a seguir. Então já não somos apenas um, mas muitos – e há um momento em que nos sentimos perdidos. Entretanto, como diz a Bíblia, “todos os rios correm para o mar”. É impossível permanecer na nossa solidão, por mais romântica que ela possa parecer. Quando aceitamos o inevitável encontro com outras nascentes, acabamos por entender que isso nos faz muito mais fortes, contornamos os obstáculos ou preenchemos as depressões em muito menos tempo, e com muito mais facilidade.
H]  Somos um meio de transporte. De folhas, de barcos, de ideias. Que as nossas águas sejam sempre generosas, que possamos sempre levar adiante todas as coisas ou pessoas que precisarem da nossa ajuda.
I]  Somos uma fonte de inspiração. E portanto, deixemos para um poeta brasileiro, Manuel Bandeira, as palavras finais:
“Ser como um rio que flúi
Silencioso no meio da noite
Não temer as trevas da noite
Se há estrelas no céu, reflecti-las.
E se o céu se enche de nuvens
Como o rio, as nuvens são água;
Reflecti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.”
Como o rio, as nuvens são água;
Reflecti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.”



Este texto do escritor Paulo Coelho é uma comparação bem sucedida entre a vida e o percurso de um rio, da nascente até à foz.
São muitas as vezes em que queremos arranjar comparações possíveis para explicar o significado da nossa vida. Explicar as várias etapas que estão bem definidas na nossa vida, embora pensemos que não.
Ao longo da nossa presença no mundo terrestre vamos estando expostos para inúmeros problemas, vamos enfrentar variadas situações, boas ou más.
Paulo Coelho diz “As pedras precisam de ser contornadas”. É evidente que a água é mais forte do que o granito, mas para isso é preciso tempo. Não adianta deixar-se dominar por obstáculos mais fortes, ou tentar bater-se contra eles; gastaremos energia à toa. O melhor é entender por onde se encontra a saída, e seguir adiante” com estas palavras é que, as pedras são os nossos problemas e estes devem ser contornados. Perante os nossos problemas não deveremos perder todas as nossas forças no momento em que aparecem, mas sim pensar na melhor solução para os acabar e aí com todas as nossas forças lutar contra eles.
Na minha opinião, este texto é muito inspirador para muitas etapas que já passei, passo e irei passar ao longo da minha vida. Transmite força e esperança.
Iniciámos esta viagem desde o primeiro dia da nossa vida, já estivemos diante de várias “primeira vez”, já contornámos muitas pedras, já entrámos e saímos de buracos, vamos traçando o nosso destino, tornamo-nos mais fortes à medida em que vamos vivendo. Já inspiramos e iremos inspirar até ao dia do nosso destino final.
Com este texto obtenho uma ideia mais simples e clara do nosso percurso de vida na realidade!

                      “O pensamento do Rio”

Quantas vezes não penso na vida? No que fiz bem ou no que tenho de mudar para melhorar…
Sem querer definir em tempos como queria que a minha vida fosse. Estabeleci metas para as várias etapas que penso serem as mais importantes e necessárias para mim. Em tal idade quero ir para a faculdade, depois vou para o estrangeiro durante  uns anos, depois regresso para construir a minha família e o nível de vida que idealizo, e quando já for velhinha reflicto em tudo o que já fiz, e depois… parto quem sabe para outra nascente.
Mas o que me vou apercebendo à medida que vou crescendo e vou mudando de mentalidade, é que todos os dias traço um novo destino na minha vida, nada é certo. Quando em tempos o pensamento do “rio” era um assunto em constante reflexão, hoje aceito-o como um pensamento incerto.
Hoje, por querer definir como quero que a minha vida seja, quero orgulhar-me de mim mesma e orgulhar os que me amam.


                                                                              Carolina Almeida 12ºB

Um peixe sem cor


Momento de improvisação

Normalmente, quando alguém vai comprar um peixe, escolhe sempre os mais coloridos, deixando os menos vistosos de parte. Mas cada peixe tem o seu valor, os mais coloridos sem dúvida que chamam a atenção e são belos, mas os sem cor têm outras características favoráveis: eles podem-se esconder dos predadores com maior facilidade, camuflando-se.
O peixe do filme “Big Fish” que apresentei no momento oral e na dissertação, era um peixe sem cor no exterior, no entanto tinha sentimentos muito honestos e emocionantes, o que faz com que no interior seja mais colorido do que muitos outros peixes com imensas cores, mas que não sentem da mesma forma que este. Podemos relacionar também com algumas pessoas, todos nós já vimos filmes que se passam em escolas em que um aluno que não tem o visual de que todos gostam é desprezado pelos restantes, enquanto que os alunos que se vestem e se portam consoante as “modas” são os mais queridos no mundo social de uma escola. Mas o tal aluno que se exclui desse grupo, muitas vezes, é uma pessoa muito agradável e com sentimentos igualmente agradáveis e sinceros.
Um peixe ou uma pessoa sem cor no exterior, não significa que não seja como um arco-íris no interior, basta olharmos com atenção.

Erica Lopes
12ºF nº9

O lado escrito da oralidade

  • Momento de leitura: Leitura de excertos do livro A Queda, de Albert Camus

“Às vezes imagino o que dirão de nós os futuros historiadores. Uma só frase lhes bastará para definir o homem moderno: fornicava e lia jornais.”

“Sem dúvida, deve ser um homem de negócios, não é? Mais ou menos? Excelente resposta! E também judiciosa: estamos apenas mais ou menos em todas as coisas.”

“Mas sabe por que somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, jâ não há obrigações. Deixam-nos livres, podemos dispor do nosso tempo, encaixar a homenagem entre o coquetel e uma doce amante: em resumo, nas horas vagas. Se nos impusessem algo, seria a memória, e nós temos a memória curta. Não, é o morto recente que amamos em nossos amigos, o morto doloroso, a nossa emoção, enfim, nós mesmos!”

“Bem sei que não se pode deixar de dominar ou de ser servido. Todo o homem tem necessidade de escravos, como de ar puro. Mandar é respirar, não tem a mesma opinião? E até os mais favorecidos conseguem respirar. O último da escala social tem ainda o cônjuge ou o filho. Se é solteiro, um cão. O essencial, em resumo, é uma pessoa poder zangar-se, sem que alguém tenha o direito de responder.”

“Ah! caro amigo, como os homens são pobres de inventiva! Julgam sempre que nos suicidamos por uma razão. Mas podemos muito bem suicidar-nos por duas razões. Não, isso não lhes entra na cabeça. Para que serve, então, morrer voluntariamente, sacrificar-nos à ideia que se quer dar de si mesmo? Uma vez morto, eles aproveitar-se-ão disso para atribuir ao gesto, motivos idiotas ou vulgares. Os mártires, caro amigo, têm que escolher entre serem esquecidos, ridicularizados ou usados. Quanto a ser compreendidos – isso, nunca.”

“Sobretudo, não acredite nos seus amigos, quando lhe pedirem que seja sincero com eles. Só anseiam que alguém os mantenha no bom conceito que fazem de si próprios, aos lhes fornecer uma certeza suplementar, que extrairão de sua promessa de sinceridade. Como poderia a sinceridade ser uma condição da amizade? O gosto pela verdade a qualquer preço é uma paixão que nada poupa e a que nada resiste. É um vício, às vezes um conforto, ou um egoísmo. Portanto, se o senhor se encontrar nesse caso, não hesite: prometa ser verdadeiro e minta o melhor que puder.”

  • Dissertação: Breve apresentação do autor do livro, do qual foi lido um excerto.

Albert Camus nasce na Argélia, licencia-se em Filosofia. Foi escritor, filósofo e jornalista, e o primeiro escritor nascido em África a ganhar o prémio Nobel de Literatura, em 1957. A sua escrita é associada ao existencialismo mas numa entrevista, em 1945, Camus recusou qualquer caracterização ideológica.
Uma espécie de viagem às vísceras da espécie humana. Um homem, que diz ser juiz - penitente, comenta com um ouvinte que se vê perplexo e arrebatado com as histórias exemplares que representam o menu desesperante das pequenas fraquezas e dos grandes crimes do Homem. "Quando não se tem carácter, é preciso recorrer a um método." Esta frase dá o tom do livro... Não é um livro agradável. Afundamo-nos num mundo do qual participamos como “voyeurs” impotentes, fascinados, indignados, não querendo aceitar o que o narrador diz. O “juiz - penitente” chama a nossa atenção para o irremediável, diverte-se com a sua própria decadência e lança as mais odiosas suspeitas sobre a condição humana – com as quais, acabamos concordando.
Jean-Baptiste é o prepotente, o corrupto e cínico que há em todos nós (ou não haveria tanta corrupção e cinismo no mundo). Até uma certa altura, ele estava convencido que agia humanitariamente, que era um homem exemplar, bem-sucedido com as mulheres, intelectualmente brilhante, profissionalmente admirado, etc.

Um dia, um incidente deu-lhe a consciência da sua pequenez e do mal-estar irremediável do Mundo: ao passar por uma ponte, viu uma mulher, cuja intenção era óbvia, mas ele ignorou-a, até ouvir um grito. Não se voltou para salvá-la: a noite estava demasiado fria e também não se queria molhar.
A partir daí, o livro é o desabafo de alguém que não consegue escapar à sua consciência nem da culpa do Mundo, afundando-se numa auto-degradação lúcida, que só faz corroborar tudo de horrível que pensa de si mesmo e dos homens.
  • Improvisação: O Corpo Interior

O corpo interior é algo que é inerente a cada um de nós, sem forma adequada ou padrão estilizado.
É uma imagem que se vai desenhando com o tempo: algumas colagens de experiências com relevo dos desgostos e o toque de cor das vitórias. É algo que desenhamos até perecermos.
São estes os elementos que nos constroem, e por isso são os que nos definem.
E é este que perdura.

Andreia Verdugo, 12º F

A parte escrita da oralidade


 “7 de Julho
Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho é-me possível, ou inteiramente contigo, ou completamente sem ti. Quero ir bem longe até que possa voar para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos espíritos envolta contigo. Tu concordarás comigo, tanto mais que conheces a minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca… Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim?
Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Tu, amor, tens-me feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo que preciso de uma certeza na minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento?… Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso faz-me  pensar que tu receberás a carta em seguida.
Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida, alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti… em ti… em ti, minha vida… meu tudo! Adeus… queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig.
Eternamente teu,
eternamente minha,
eternamente nossos.”

Ludwig van Beethoven (Compositor Erudito Alemão, 1770—1827)


     Esta carta foi encontrada na secretária de Beethoven, juntamente com o seu testamento, depois da sua morte. As cartas não tinham qualquer identificação de destinatário, nem local, estavam apenas dirigidas à “Minha Amada Imortal”.
    Sempre houve várias especulações em volta deste mistério, porém, mais tarde veio a saber-se a identidade da mulher misteriosa, ou pelo menos, é esta a versão mais lógica e aceitável.
Chamava-se Antonie (Von Birkenstock) Brentano. Era casada e tinha quatro filhos. Mudou-se para Viena, por causa de negócios que o seu marido possuía lá, e foi através de sua cunhada que então eles se conheceram.
Ela era uma mulher muito doente, e consta que Beethoven a visitava muitas vezes e tocava piano para ela. Eles mantinham um romance secreto. Pensa-se que se encontravam sempre no mesmo local, a uma determinada hora.
Passados dois anos, Antonie parte de Viena e desde então eles nunca mais se viram. E as cartas que lhe eram destinadas nunca lhe foram entregues. Beethoven amou-a durante toda a sua vida.
Inspirado e baseado nestas cartas, foi escrito um romance “Minha Amada Imortal” e posteriormente, foi feito um filme com o mesmo nome.

Segredo
Segredo eu
No mais secreto lugar
Um tal segredo
Que não posso revelar.

Segredo obscuro será esse?
Talvez algo vulgar,
Algo sem interesse...
Porque desperta tamanho
Desejo em partilhar?

Segredo eu
No mais secreto lugar
Que esse obscuro segredo
Jamais  irei revelar.

Irina Ivanenco 12ºF, Nº13

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Treino de Oralidade:

Excerto do texto que eu li, trata-se duma passagem do principio do livro Romance Incompleto, do meu tio-bisavô que acho que retrata muito bem a situação tanto do protagonista como o meu tio-bisavô.

Era meio dia e o sol caía a pino. O gado estendido no chão, á sombra dos ervideiros, ruminava o pasto que havia devorado antes daquela hora ardente. Um pouco afastado, encostado ao bornal, encoberto por uma moita, o pastor passava o ócio, lendo soletradamente um livro velho, cujas folhas em alguns capítulos, com o tempo e o correr de mãos, haviam desaparecido; pois este já fora usado por outros pastores que ainda o menos o haviam compreendido. Manuel, porém, meditava sempre em todas as palavras, embora em muito custo abrangidas. Por fim, percebeu que se tratava da vida de um pastor como ele, que um dia fugira para a cidade e achara fortuna.
O primeiro capitulo do livro estava completo e, pela descrição do autor, Manuel julgou-se em condição de imitar o herói do romance. O processo do enredo era complicado, mas o pastor, mas o pastor, por cuidadoso, lia e relia as frases para melhor se inteirar do assunto. Ele tinha quinze anos, e desde pequenino que guardava o gado, única ocupação que lhe era acessível. As poucas letras que aprendera, fora à custa da grande força de vontade, pois, desde muito novo, por instinto ou por curiosidade de inexperiente, o seu sonho era emigrar.

Comentário:
Este livro é incrível, para mim é absolutamete incrível. É a prova viva de como um homem (o meu tio-bisavô) através da vontade e do esforço, consegue passar de um pastor de rebanhos a um escritor de livros, ou seja, consegue instruir-se, sem recorrer à escola, e passar de alguém de pouca cultura e analfabeto a um escritor, que é considerada um posição ocupada por pessoas bem instruídas e letradas.
Este excerto permite resumir quase toda a história, trata-se de um pastor (como o meu tio-bisavô) que, através de um livro que retrata um pastor na mesma situação dele, decide ir para a cidade e achar fortuna, como o personagem do conto). Só esta parte, está escrita de forma genial: o livro fala duma pessoa como o meu tio-bisavô que procura fortuna após ter lido um livro sobre um pastor na mesma situação dele que a achou. Temos portanto a mesma pessoa em períodos e dimensões diferentes: o meu tio-bisavô que era o escritor deste livro enquanto procurava fortuna (o pastor do presente), o personagem da história que está a aprender a ler um livro, quem sabe este mesmo que o meu tio-bisavo escreveu, e sonha em emigrar e procurar fortuna (o pastor e meu tio-bisavo do passado) e o personagem do livro que o personagem do livro do meu tio-bisavo está a ler, que era um pastor que tinha fugido para a cidade e achado fortuna (o pastor e meu tio-bisavo do futuro, agora passado) Um texto tão paradoxal como este (como pode o personagem do livro ler um livro que falava sobre ele e, provavelmente escrito por ele próprio no futuro, enquanto o meu tio-bisavô ainda estava a escrevê-lo), uma situação tão extrema de "teatro dentro do teatro".

Tema de improviso: Limites

Os limites são a linha que marca o máximo da capacidade de qualquer coisa. O limite da força, da velocidade, da inteligência, tudo tem um nível que não pode ser ultrapassado e é esse nível que nos permite ver o quanto limitados e condicionados estamos, pois é esse nível que nos condiciona.
Eu não concordo com isso, os limites existem para serem ultrapassados, são esses máximos que nos levam a querer ser sempre melhores e a evoluir além das nossas possibilidades. Eu acredito que, através do esforço e da vontade, podemos ser melhores do que somos e ultrapassarmo-nos a nós mesmos, é o que nos torna imperfeitos e nos permite, portanto, avançar sempre em direcção à perfeição. Tenho de acreditar, porque se isto não for verdade, qual é o propósito do humano? A humanidade já não é um bando de homens das cavernas ou um bando de refinados com uma folha a tapar as zonas intimas (dependendo da religião); evoluimos e, tal como o meu tio-bisavô que conseguiu superar as suas limitações de analfabeto, até ao nivel de um escritor letrado. podemos sempre chegar mais longe.

André, 12 D

Momento de oralidade, O Pensamento do Mar

1 - Excerto

"Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido - sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para sucedâneo de Deus. Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade. Considerei que Deus, sendo improvável, poderia ser, podendo pois dever ser adorado; mas que a Humanidade sendo uma mera ideia biológica, e não significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da Humanidade, com seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais.
Assim, não sabendo crer em Deus, e não podendo crer numa soma de animais, fiquei, como outros da orla das gentes, naquela distância de tudo a que comummente se chama a Decadência. A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia."

PESSOA, Fernando. Livro do Desassossego, vol. I, Assírio & Alvim

2 - Dissertação - Festival Islâmico de Mértola

A vila

Mértola é uma vila alentejana, situada no concelho de Mértola, distrito de Beja. Rodeada pelo rio Guadiana, a vila de Mértola foi uma vila muito cobiçada no passado por ser um pólo favorável às rotas comerciais, estabelecendo, através do rio, uma ligação com o Mediterrâneo. Situada numa elevação, também esta característica lhe convém uma condição de defesa natural.

O Festival

O Festival Islâmico de Mértola celebra a forte influência islâmica da vila. É um festival bienal e a próxima edição será em 2011. Durante os 4 dias em que se realiza - normalmente em Maio -, o souk (mercado árabe) é montado nas ruelas da vila, coberta de panos e motivos islâmicos. Há também um cartaz cultural repleto de actividades, entre as quais se destacam: exposições, colóquios, concertos, dança exótica junto ao rio, concursos, workshops de culinária marroquina, artesanato, visitas guiadas ao centro histórico, animação de rua, percursos de barco, atelier de caligrafia árabe, teatro de rua, entre outras.


3 - Improvisação - O pensamento do mar

Creio que não podemos falar do pensamento do mar, se nem temos noção exacta do que se trata, da tua extensão, composição... Podemos sim falar do que o próprio mar já nos deu que pensar. E disso, temos provas. Luís de Camões, Fernando Pessoa, e tantos outros escritores. E nós, os observadores e pensadores. O mar já nos mostrou tantas facetas: a lúdica, a trágica, a enigmática, a imprevisível, a estética, a prática... Só deixamos de nos questionar sobre algo, quando conhecemos na totalidade. E isso, nunca vai acontecer com o mar.
 
Margarida Soares, 10º F

Momento de oralidade


Leitura:
Anástrofe e incerteza em Tony Carreira
Quem é, hoje, o mais conhecido poeta português?
A academia divide-se, o que demonstra, uma vez mais, que a Academia não percebe nada do assunto. Inúmeros portugueses sabem os seus versos – e, no entanto, a universidade despreza-o, a crítica ignora-o, as selectas barram-lhe a entrada. Valha-nos o povo, especialmente aquela parcela do povo que é constituída por senhoras maiores de 50 anos, que o venera. O mais famoso poeta da actualidade é, sem dúvida nenhuma, Tony Carreira. Fazia falta um estudo sério sobre a sua obra. Um pouco vergado sob o fardo de ser sempre pioneiro a fazer o que faz falta, aqui o apresento.
O primeiro aspecto que o leitor de Tony Carreira deverá ter em conta é o seu universo vocabular. Carreira definiu um vocabular restrito, não porque queira como Eugénio de Andrade, estabelecer um conjunto de vocábulos essenciais e, a partir desse núcleo, obter uma expressividade reforçada pelos contextos inesperados q surgem, mas, ao que tudo indica, porque conhece poucas palavras. E a maior parte das que conhece não tem muitas sílabas. Tony Carreira não perde tempo a procurar o adjectivo certo. Na dúvida, é tudo «lindo». É o caso da vida, no poema «Não chores mais» («Não chores mais/ não nunca mais/ que a vida é tão linda»), da mãe, em «Mãe querida» («Hoje velhinha estás, querida mãezinha/ Mas para mim sempre serás tu a mais linda»), de uma casa, em «Coração perdido» («Hoje vives numa linda casa»), ou de varias coisas, no poema «Ai que saudades» (nele o herói parte de «uma casinha branca tão linda», recorda «esse cantinho doce e tão lindo» e anseia pelo regresso à «ilha linda (…) que o viu nascer»,que é, evidentemente, a «ilha da Madeira»).
Mas quem é, no fundo, Tony Carreira? No essencial, talvez um vagabundo. O poeta apresenta-se como «um eterno vagabundo» (em «Quem era eu sem ti»), declara «Sou vagabundo, não vou parar» (em «A minha guitarra»), descreve-se como «um romântico, meio vagabundo» (em «Será que sou feliz»), adianta que «ninguém conseguia mesmo parar/ o meu lado vagabundo» (em «Um homem muda»), define-se como um «vagabundo feliz» (em «A minha que eu escolhi») e, no belíssimo «Eterno vagabundo», confessa: «Já pensei ter mulher/ Ter um lar a condizer/Mas não deu// Porque o meu coração/ É vagabundo/ Até mais não». Talvez o melhor retrato do poeta seja, de facto, o deste «vagabundo até mais não», uma vez que, como vimos, há muita indigência na poesia da Carreira (e aqui estou a ser tão denotativo quanto conotativo).
Enquanto poeta, Tony Carreira está preocupado com dois problemas principais: a quantidade de frases que, não terminando numa palavra acabada em «ar», não podem rimar com outras frases que terminem numa palavra acabada em «ar» ( e por isso recorre com frequência a belas anástrofes, como em «Morena bonita»: «Um dia destes eu com ela vou falar/ Vou fazer tudo p’ra seu amor conquistar»); e as idiossincrasias do amor, e as perplexidades que elas causam. Neste capítulo, são exemplares os poetas «Qualquer dia posso-me cansar» («E quando as coisas correm mal porque é que tu ofendes/ Se ao fim da noite queres fazer as pazes na calma?») e «Cai nos meus braços, Maria»(«Tu que estás aí dançando/ Faz aquilo que eu desejo/ Vem para mim bamboleando/ Sim, tropeça nos meus beijos (…)Vem nesse

bamboleando/ Escorrega nos meus lábios»), sendo que este último parece alertar para o carácter traiçoeiro dos beijos, que ora fazem tropeçar, ora saem de lábios escorregadios. A registar por quem, desejando entregar-se aos prazeres do amor, não queira, ainda assim, partir uma perna.
Fica o incentivo para uma leitura atenta da poesia de Tony Carreira – que, por ser inclassificável, não me sinto capaz de adjectivar. A não ser, talvez, com a expressão «muito linda».
Pereira, Ricardo Araújo. Boca do Inferno, Lisboa. Tinta-da-china. 2008        
Dissertação:
Ricardo Araújo Pereira
·         Humorista português;
·         Nasceu em 28 de Abril de 1974;
·         Filho de piloto da TAP e assistente de bordo;
·         Aluno de colégio de Freiras e licenciou-se em comunidade social e cultural na Universidade Católica Portuguesa;
·         Começou a trabalhar como jornalista no jornal letras, artes e ideias;
·         De seguida colaborou em programas como argumentista de sucesso como:”Herman SIC” e o “Programa da Maria”. E escreveu várias crónicas nos jornais: “Expresso” e “Diário de Notícias”;
·         Apareceu em 2003 na TV, continuando a sua carreira como actor humorista também em:  “Levanta te e ri”, “O perfeito a normal” e “Gato fedorento”. Mais tarde elaborou: “Série Fonseca”, “Série Meireles”, “Série Barbosa”, “Diz que é uma espécie de magazine” e “Zé Carlos”;
·         Actualmente escreve no jornal “A bola” e na revista “Visão”. As melhores crónicas publicadas na revista “Visão” foram utilizadas nos livros “Bocas do Inferno” e “Novas Bocas do Inferno”;
·         Por fim, Benfiquista, mora na margem sul com a sua esposa Maria José Areias e com as suas duas filhas Rita e Inês.


Improvisação:
Chão
O chão é tudo aquilo que pisamos, quer seja terra arável ou pavimento.
É a superfície onde construímos as nossas primeiras casas onde plantamos e colhemos os nossos alimentos e onde nos colocamos.
Devido ao egoísmo de algumas pessoas, a disputa pelos territórios provoca discussões, guerras e outros conflitos. Além disso, maltratamos a terra fazendo de alguns lugares lixeiras e abatemos os seres vivos permanentemente ligados a ela que são as árvores.

A terra e todo o meio ambiente deve ser preservado, porque ao destruímos o que nos rodeia, estamos a prejudicar-nos directamente e a hipotecar a nossa espécie.
Desde os primórdios da nossa civilização, a terra, o ar, a água e fogo são considerados os quatro elementos essências.

Rita Duarte, 12 F