É indiferente: uma é de origem popular (simpatiquíssimo, superlativo absoluto sintético do adj. simpático) e a outra seguiu a via erudita (do latim simpathicu), simpático + íssimo = simpaticíssimo.
Rodrigo de Sá Nogueira, que também se debruçou sobre estas duas formas, nas suas "Questões de Linguagem", aconselhava no entanto o emprego de simpaticíssimo:
«Nas minhas Questões de Linguagem, I, pp. 167-168, escrevi: «A meu ver, as duas formas têm defesa, mas a primeira oferece melhores condições de aceitação. A primeira é de formação erudita, enquanto a segunda é popular; a primeira tem melhores condições de aceitação, porque se harmoniza com a formação de outros superlativos, mas a segunda é mais portuguesa. Como o povo, ou seja o maior número dos Portugueses, em vez da forma do superlativo simples, emprega geralmente a do superlativo composto, isto é, em vez de boníssimo, por ex., diz muito bom, sucede que a formação do superlativo simples é modelada em regra pelos cultos em formas eruditas. - É assim que temos amabilíssimo, amicíssimo, antiquíssimo, simpaticíssimo, ferocíssimo, dulcíssimo, crudelíssimo, fidelíssimo, parcíssimo, nobilíssimo, facílimo, celebérrimo, integérrimo, libérrimo, etc., etc., em vez de amavelzíssímo ou amavelíssimo, amiguíssimo (que o povo usa), antiguíssimo (idem), simplesíssimo, ferozíssimo, docíssimo (idem), etc. - Em resumo: aconselho o emprego de simpaticíssimo, visto que analogamente os cultos dizem amicíssimo, parcíssimo; no entanto acho que não erra quem diz simpatiquíssimo, visto que também analogamente todos dizem riquíssimo, fraquíssimo, pouquíssimo, etc., e não ricíssimo, fracíssimo, poucíssimo, etc. - Se aconselho simpaticíssímo é porque a própria forma simpático é culta. Se algum dia se popularizar, e se o gosto geral simpatizar com o superlativo simpatiquíssimo, um caminho só há que seguir: é conformar-nos com o facto consumado».»
Ora, quase 30 anos depois de esta hipótese haver sido levantada, como, de facto, o uso acabou por consagrar o menos simpático simpatiquíssimo.
Meninos e meninas, de um email de origem desconhecida, retiro a parte que poderá ser-vos útil:
Mas, afinal de onde vem a origem das palavras da nossa Língua? Do Latim!! E desta, derivam muitas outras línguas da Europa. Até no Inglês, a maior parte das palavras derivam do latim.
Então, vejam alguns exemplos:
Conclusão: na maior parte dos casos, as consoantes mudas das palavras destas línguas europeias mantiveram-se tal como se escrevia originalmente.
DOCUMENTO PRODUZIDO PELAS PROFESSORAS JULIETA SILVA E ROSALINA TIQUE:
ACORDO
ORTOGRÁFICO
Súmula - 2010-2011
Sumário
I – Nota introdutória
II – Entrada em vigor nas escolas portuguesas
III – Um pouco de história sobre o Acordo Ortográfico
·Características de âmbito geral
IV – Casos relevantes das alterações do AO
1.Maiúsculas e minúsculas
2.Uso de consoantes mudas
3.Supressão de acentos gráficos
3.1.Verbos da 2ª conjugação
3.2.Palavras homógrafas
3.3.Palavras graves com ditongo –oi-
4.Uso do hífen
4.1.Supressão
4.2.Manutenção do hífen
5.Casos de dupla grafia
V - Bibliografia consultada e a consultar
I – Nota Introdutória
As informações aqui transmitidas sobre o AO à comunidade escolar têm essencialmente dois objectivos. O primeiro, fazer compreender que este novo acordo é o culminar de um processo, iniciado há vinte anos. A língua portuguesa, enquanto processo dinâmico que é, só começou a estabilizar no início do século vinte. De então para cá já sofreu alterações várias, nomeadamente na sua grafia. O segundo objectivo é apresentar alguns casos mais evidentes emais comuns das novas alterações, não pretendendo nunca esgotar toda essa informação, mas, apenas, constituir um ponto de partida.
Por fim, não sendo um objectivo, é nossa intenção apresentar esta questão de uma forma despojada de intenções a favor ou contra. Embora estejamos conscientes de que, tanto para alunos como para professores, a entrada em vigor e a ruptura com o hábito linguístico fere de forma profunda a nossa sensibilidade de amantes da língua mãe e deixa-nos um sabor a vazio de algo que se vai e que já nos tínhamos habituado a ser nosso.
II – Entrada em vigor nas escolas portuguesas
Embora ainda a decorrer um período de transição de 2009 a 2015, a nova ortografia será implementada, no sistema educativo português, a partir do próximo ano lectivo, i.e., Setembro de 2011/2012, de acordo com a resolução do Conselho de Ministros de 9 de Dezembro de 2010, publicada em Diário da República, 1.ª série – N.º17 – 25 de Janeiro de 2011.
O referido diploma determina ainda a aplicação do AO, na mesma data, aos manuais escolares a adoptar para esse ano e seguintes, mantendo-se a vigência dos já adoptados até à sua reimpressão ou terminus do período de adopção.
III - Um pouco de história sobre o Acordo Ortográfico
A primeira tentativa de unificação ortográfica da língua portuguesa data de 1911, com a primeira reforma ortográfica. Se, nessa altura, o Brasil se manteve à margem de qualquer acordo, foi a partir de 1931 que se fizeram diversos esforços por encontrar uma ortografia comum. Mas, já nas duas últimas tentativas, em 1980 e 1990, além de Portugal e o Brasil, participaram também novos países africanos de expressão portuguesa. Assim, a 16 de Dezembro de 1990, o Novo Acordo Ortográfico foi preparado pelas delegações da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Brasileira de Letras e de países africanos lusófonos, e aprovado politicamente pelos ministros e secretários de estado da cultura dos sete países. A tentativa de ratificação do acordo pelos sete países falhou em 1994. Um protocolo modificativo do Acordo foi aprovado com a participação de Timor-Leste, defendendo a sua aprovação desde que ratificado por três países. Actualmente já está ratificado por quatro países, incluindo Portugal. (cf. Casteleiro, M. & Correia, P.D., 2008, 3-4)
Algumas Características de âmbito geral do Acordo Ortográfico (AO)
·Preferência do critério fonético ao critério etimológico.
(ato, em vez de acto; ótimo, em vez de óptimo; seleção, em vez de selecção)
·Inclusão das letras K, W e Y no alfabeto português (embora já fizessem parte dos dicionários de língua portuguesa), usadas em palavras estrangeiras, neologismos e símbolos.
·Redução e sistematização optimizada das regras de emprego do hífen, no que se refere especialmente às palavras formadas por prefixação, recomposição e justaposição (práticas já normalizadas na grafia de certas terminologias).
·Supressão de acentos ortográficos (veem, em vez de vêem; abençoo, em vez de abençôo; frequente, em vez de freqüente).
·Redefinição de casos de dupla grafia (corrução (bras.) e corrupção (port.).
·Redefinição de casos de dupla acentuação, conforme o timbre soa aberto ou fechado (fenómeno/fenômeno; génio/gênio).
Convém saber ainda que:
·O AO visa a unificação possível, uma vez que a unificação total parece impossível.
·As alterações introduzidas não interferem absolutamente nas diferenças orais dos países nem nas variações da gramática ou do léxico.
·O AO previu a produção de um glossário alargado, i.e., Vocabulário Ortográfico Unificado, com a colaboração dos países subscritores, de forma a minimizar os constrangimentos surgidos na sua aplicação.
[informação sistematizada, que inclui, entre outros recursos, o VOP, Vocabulário Ortográfico Português e o conversor ortográfico LINCE. Requisitos: Java 1.5]