quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sumários da semana de 26 de Abril

Introdução ao estudo de Memorial do Convento.
Apresentação do trabalho do 3º período. O diário/oficina. Exercícios de estilo.

Leituras narrativas.
Narrador e narratário.
A escrita de Saramago: o barroco "temperado".
O título e a génese da obra. A ideologia.
Brecht e Saramago, leitura do poema: "Perguntas de um operário letrado".

quarta-feira, 27 de abril de 2011

3º Período

Planificação do estudo do Memorial do Convento

A- Datas dos testes:

12º B e D: 30 de Maio
12º F: 31 de Maio

B- Entrega dos diários literários:


12º B e D: 23 de Maio
12º F: 24 de Maio

DIÁRIOS LITERÁRIOS:

Mínimo*: 12 entradas, 4 semanais ( 1 sobre a ligação aula-vida, outra do Diário de uma personagem do Memorial e a terceira dos Exercícios de estilo. A quarta fica ao critério de cada um, dentro destas 3 vertentes.)

* O mínimo significa mesmo isso, que se espera que seja ultrapassado.

CRITÉRIOS E AVALIAÇÃO:
 
. Diversidade do tipo de entradas
. Adequação aos temas solicitados
. Texto próprio
. Qualidade literária

. Originalidade/criatividade
. Apresentação, contextualização, coerência texto-imagem
. Número de entradas
. Datação e cumprimento de prazos
. Reflexão-balanço
. Apreciação global


Cada tópico pode ser avaliado entre 0 e 3. Um Diário pode ter a totalidade de 30 pontos.
1- 6- insuf-
7, 8, 9 - insuf
10, 11, 12 - insusuf +
13, 14- suf-
15, 16 - suf
17, 18 - suf +
19, 20, 21- bom -
22, 23 - bom
24, 25 - bom +
26, 27, 28, 29 - MBom
30- Excelente

C- Recitação de um excerto do Memorial

12º B: 1 de Junho
12º D e 12º F: 2 de Junho

sábado, 23 de abril de 2011

Feliz Páscoa!

Queridos alunos, seja qual for a vossa crença, os meus votos de uma Páscoa Feliz e um regresso entusiasmado.


Risoleta

sábado, 9 de abril de 2011

Treino de Oralidade: o que foi lido e dito

Momento de Oralidade

1 - Leitura

"Quero ser torrencial.
Porque me penso, peso, dedico tempo?
Onde ficou a espontaneidade de ser, de dizer, de articular um pensamento passageiro... Onde deixei cair as minhas
armas e as bengalas e os pedacinhos de mim não passíveis de desconstrução?
Não me quero assim. Não me querem, também.
Porque fiquei simples num mundo que se quer complicado?

É fácil viver um exercício de geometria descritiva. Enredarmo-nos em objectivos que envolvem meandros mais
complicados que os passos iniciais; que entre rectas e pontos exteriores perdidos no espaço, e no tempo, é certo
perder o fio à meada.
Mas, afinal, o que é que me leva a este procedimento? E, ao olhar para trás, a coisa já é tão abstracta que deixa
de ser palpável numa realidade possível.

Porque me fechei num quarto escuro de pensamentos a comer chocolates que me faziam festinhas?
Não me conduziram para lado nenhum; e o caminho da moralidade ainda sim fui eu que achei...

E porque é que simples é um ideal e complicado um daily basis?
Como é que me querem ensinar o que eu nunca vi?"

2 - Dissertação

No seguimento da torrencialidade de Álvaro de Campos, trago um pequeno desabafo que escrevi quando descobri que o mundo à minha volta exigia muito mais daquilo que eu conhecia. As politiquices, o sistema, as palavras complicadas. 
Este texto refere-se também às lacunas que me detecto no campo social, no campo comunicativo, como se, de repente, eu falasse uma língua diferente do idioma comum. Ou que, a minha rádio estava sintonizada para uma frequência invulgar.
Tive muitas vezes a sensação de ver apenas mexer bocas enquanto as pessoas dialogavam nos espaços públicos: tudo isto me parece estranho; não me identifico. Só penso naquela simplicidade de ser com o pé descalço na terra, a partilhar valores com a comunidade, com tudo aquilo que nos foi atribuído pela Natureza: sem adornos.
No entanto, tenho também em mim a consciência de que pertenço a uma sociedade que vem de séculos construída e assente em modelos e é importante não adormecer para isso. É importante estar desperto e saber do que se passa na China. Estar atento e sedento do conhecimento.

3 - Improvisação 
"A auto-condescendência"

A auto-condescendência é, como o nome indica, o acto de ser condescendente connosco próprios. Isto passa por termos pena de nós mesmos, justificações elaboradas em prol da nossa justiça (as tão conhecidas desculpas!). Muitas vezes tomamos atitudes com os móbiles errados: esse móbil é, precisamente, sentirmo-nos melhor através de uma condescendência inconsciente (grande parte das vezes).
Interpreto isto de uma forma estreita: eu posso dar uma esmola a um vagabundo, quando o que eu quero no fundo é dar festinhas ao meu ego. Apesar de me sentir sensibilizada com o exemplo, sei bem que, inconscientemente, actua um factor que me diz que serei uma pessoa melhor se o fizer. E isso é desculpar-me através de um exemplo prático. Diria até, bastante hipócrita.
Não se façam festinhas - só têm a ganhar se se mantiverem duros convosco. O vosso trabalho será honesto.


Margarida, 12 F

Oficina de escrita com textos próprios e alheios

 Diante do meu copo cheio de uma bebida ligeira,

Um dia que Deus estava a dormir,
Ao virar-me, o meu olhar cruzou-se com um de outro transeunte.
À sombra de boa saúde, lá estava ele. Tinha o sapato desatado...
Um desalinho carinhoso e um cartaz a proibir a entrada.
Logo me apropriei de o querer, num sentimento nu até à cintura.
O desconhecido virou-se.
 - Mas não tem mal Sr., pois maior feito existe em andar nu! - Expliquei-me.
Desde o caos materno - se calhar não lhe expliquei bem - que a criança tão quotidiana é cinzenta!
Mesmo assim, demos as mãos!
Um olhar que me abrangia da cabeça aos pés penhorou os dias em que ficava em casa a fumar e a ler romances. Faltavam-me outras estórias.
O seu discurso era uma espécie de compêndio da História da Humanidade. E começou:
 - As pessoas têm princípio, meio e fim. As pessoas sensíveis não são capazes de matar galinhas, porém, são capazes de comer galinhas. Honesto só houve este tal que morreu de fome! Mas um dia voltaremos a viver como os animais, seremos almas honestas com horas para dormir e comer.
Isso já eu sabia! Por cima do Inferno contemplo eu as flores! Sei bem qual é o final. Eu quero é esse meio.
 - Desculpe, mas sabe o caminho mais curto para me rir?
A mim ensinou-me tudo; manobras de biblioteca mental que nem podiam ser bem descritas. O corre por ali, corta por além, chapinha nas poças de água, brinca com pezinhos enlameados, ensina o gato, sê trolha no telhado; as lições da simplicidade que vivem debaixo do nariz do grande Buda.

Mas ele já não podia mais. Os outros aprendiam a ler para chegar a mestres. E eu também deveria fazê-lo.
E, grata como convém a um deus ou a um poeta, vim-me embora. Triste, porque agora também eu esqueci o idioma do outro mundo que morava no rés do chão do pensamento. Agora eu estou feliz. E só conheço esse idioma.
Continuei a passear sozinha, deixando-o para trás. Quando me virei disse:
 - Tem o sapato desatado!
Confuso, debruçado, ele sorri. E eu segui, esperando que ele o atasse pelo mais dilatado prazo. Assim, também ele esperaria por mim.


Margarida, 12 F

Notícia sobre a publicação de Felizmente há Luar (versão livre e versão censurada)



(versão livre)                                                                                                                                                                                                       1974
'Sttaaaaaauuuuuu!
É com muito orgulho que hoje volto a publicar, após treze anos, a minha crónica integral acerca da primeira peça de Luís Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar, censurada aquando da publicação da mesma.
"Foi hoje publicado o primeiro drama narrativo de Sttau Monteiro, onde o luar nos toca de forma particular por ser possível rever na história de Monteiro, um pouco da nossa actual.
Numa mestria exímia, o autor faz-nos chegar debaixo do tapete a sua opinião severamente crítica em relação à opressão.
Com influências de Brecht, Sttau Monteiro introduz, com esta peça, o teatro moderno em Portugal."

(versão censurada)                                                                                                                                                                                                           1961
Leitura educativa
Foi hoje publicado o primeiro drama narrativo de Sttau Monteiro, onde o luar nos toca de forma particular por ser possível rever na história de Monteiro, a História de Portugal.
Numa mestria exímia, o autor faz-nos chegar de forma simples e acessível, a sua explicação dos factos passados, tão importantes para a Pátria.
Com influências de Brecht, Sttau Monteiro introduz, com esta peça, o teatro moderno em Portugal.


Margarida, 12 F

Arte Poética (criada a partir de passagens recolhidas de poetas (a sublinhado) e texto dos alunos

Para mim a poesia é: 

algo que vem de dentro,
que
cá fora se transforma em palavras
"em que a alegria é feita de um tormento"
que, "evoca uma humilde aparência"


o pensamento passa a "olhar duas vezes para as coisas" que nos rodeiam
É um novo modo de "usar uma coroa"
"só o medo pode dizer o seu nome"
e não me deixa seguir em frente,
continuar a escrever,


"pedi à vida mais do que ela me dava",
 agi sem motivo aparente
ao "puro   ritmo do coração"
que queima a harmonia
 
 
Beatriz Serrão

Carta de General Gomes Freire de Andrade

Carta de General Gomes Freire de Andrade



Matilde ,


Perco-me na escuridão do enublado, no medo que não é medo, na palavra que não é palavra nesta sociedade de olhos vendados. Peço-te que não esperes, que ganhes força, não por mim nem por ti, pela vida que digo teres. Pelo teu passado e pelo teu futuro. Quero que não magoes mais o sentimento que todos temos em comum , que nos torna diferentes e iguais , aquele sentimento que traz ruído , que nos faz falar.
Desde que estou aqui sinto que cresci , que ansiei o mundo negro de que agora abraço com gratidão e desejo. Recolhi a luz do vácuo , aquela que só se encontra quando não se procura , aquela que sinto quando olho para ti.
Quero que saibas que deves lutar com cautela , pois nem sempre o vento sopra para o nosso lado , nem sempre nos defende da caminhada íngreme do desfecho trágico.
Escrevo por linhas onduladas como o senhor escreve quando fala e não fala quando não escreve.
Amar-te-ei sempre no invólucro do meu sonho. Felizmente existe a escrita . 



Inês Marques

Página de um Diário Poético

Quero muito e não pouco
Quero muito e não algum
Quero muito e não um bocado
Quero muito o TUDO
Quero, quero, quero...
Um dia voltar a ter
TUDO aquilo que já perdi



Deuses vistos como Deus
Sentidos como salvadores
Apesar de mais velhos
Comparam-se com o mais novo
Este novo que ainda perdura
Na vida de milhões de pessoas
Sem nunca ser esquecido
É relembrado em auxilio
Um Deus valorizado como Deuses
E Deuses equiparados com Deus




O sol azul que entra pela casa
contrasta no céu amarelo que
cobre o dia de hoje.
A pedra alegra o dia
com a sua melodia
O canário está ali no meio do jardim
e serve de baliza.
Os cães jogam à bola
felizes e cansados
As crianças assistem 
com a respiração acelerada
e com a língua de fora
 
 
Ana Carolina Almeida

Oficina de escrita com textos próprios e alheios


O meu corpo tremeu.
A brisa de átomos sobre a cara.
“Foi pela esquerda abaixo” – Pensei eu
“É a que me faltara”.

Seguia-a incessantemente
A brisa de átomos sobre a cara
“E escutam como ressoa” – Tive na minha mente
“É de certeza a que me faltara”.

Seguir, seguir, seguir, segui-a
A brisa de átomos sobre a cara
“Uma combinação brilhante” – Raciocinei
“É sem dúvida a que me faltara”

Um cansaço vem-me à medida que me vou.
A brisa de átomos sobre a cara
“Porque tu vais de mão dada com a aventura” – Na minha cabecinha ecoou
“É, mais do que nunca, a que me faltara”

Gastei-me pelo caminho
A brisa de átomos sobre a cara
“LEVA-ME !” – Ordenei de mansinho
“Para que o fizesses, o que me faltara?”



Notas de compreensão do poema:

- No poema, vários elementos se repetem (de propósito):

  - O primeiro verso de cada estrofe relata sempre algo que acontece ao
     sujeito
  - “A brisa de átomos sobre a cara” que aparece sempre no segundo verso
  - Uma fala / pensamento em todas as 3ª e 4ª estrofes
  - “Tive na minha mente”, “Raciocinei-a”, “Na minha cabecinha ecoou”,
     são sinónimos da palavra pensar presente no 1º verso 


André Matias

Página de um Diário Poético

"Eu, professora"     20/3

Finalmente aconteceu. Sinto - me em sintonia com a minha professora de Português.
Enquanto lia os meus excertos, tirados dos poemas lidos pela professora senti a voz da stora a acompanhar a minha enquanto lia.
Lia e ouvia a minha voz, mas na minha cabeça, a voz que ouvia era a da minha professora. A mesma acentuação, o mesmo tom, da mesma maneira, tudo.

"Calor/Frio"           20/3

No Inverno ansiamos pela Primavera, e na Primavera aclamámos o Verão". Este foi o excerto que eu tirei do poema "A Roda" de W. B. Yeats. E acho que se adequa muito bem à minha situação agora. Hoje fez calor, não acha ? O meu quarto está super-quente, estou a suar. Bem gostava de um tempo frio para arrefecer o meu quarto. Embora no Inverno eu tenha desejado um dia quente para aquecer o meu quarto.



André Matias

Treino de Oralidade: o que foi dito


Leitura

Sentir o sentimento.                                         Racionar a razão.                                          Deixar o sangue correr nas veias inchadas e cansadas,              
De racionar o sentimento.                                            
A necessidade do frio,                                    Do gelo a invadir o coração.                                         
Nem sentimento racionado,                                         
 Nem razão sentida.                                               
 Aguardo o que a um polo me levará.

Dissertação

Este texto foi escrito depois de um momento na aula, onde a professora nos incentivou a enveredar por uma escrita poética mais moderna. Tendo gostado, este texto simplesmente fluiu. É um tipo de escrita que me agrada, devido à sonoridade e ao seu abstracionismo.


Sofia Fortuna

Página de um Diário Poético

Realidade

A realidade é como uma sombra, seque-nos para todo o lado.
Só quando as luzes se apagam é que ela se vai embora.

Sofia Fortuna

sexta-feira, 8 de abril de 2011

VISITA DE ESTUDO SOBRE FERNANDO PESSOA





Visita de estudo à procura de “Fernando Pessoa e o seu percurso”

“Lisboa Pessoana”.
A visita de estudo foi longa, mas muito proveitosa, dando-nos uma imagem de uma nova Lisboa dum ponto vista “literário”, deu-nos oportunidade de explorar, ver novos cantos escondidos pela vasta cidade de Lisboa “Pessoana”.
Fernando Pessoa não só deixou a sua marca como escritor, como também se fez marcar pela sua vida e espaços que habitou/frequentou.
[...]
 Um dos locais que mais me agradou no desenrolar desta visita foi o elevador de Santa Justa, [...] Este espaço foi marcado por Fernando Pessoa pelo recordar da sua infância, pela saudade desta, e sua mudança até àquele momento, utilizando o cais para retratar o seu sentimento. Tendo sido escolhido,na minha opinião, um dos locais que mais me agradaram na visita a Lisboa.

“. - Ah todo o caís é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do caís
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o caís e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angustia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha. (…)

 
[...]

Conclusão
A visita foi mais do que uma procura do percurso feito por Fernando Pessoa, classifico-a como a procura de um novo ponto de vista, de uma outra cidade de Lisboa” uma Lisboa "Pessoana” uma cidade que vive e sente as coisas sob forma poética transcrita pelo nosso Poeta “F.P” sob forma de versos e variados poemas escritos pelo seu ortónimo e heterónimos. A visita teve como objetivo ensinar-nos a apreciar o dia mais monótono da nossa vida, o passar da brisa pelo nosso rosto,”ser simples” . Aproveitar o que a vida nos dá, e o que nos deixaram.” A origem /história/memória/o conhecimento”.


Marta, 12 D

Treino de Oralidade: o que foi dito


A minha apresentação não fugiu à minha noção do que sabia na altura. Expliquei, depois de ter lido o texto, o que as gaivotas são, e porque voam e os pombos não, e correspondi estas duas espécies a dois tipos de pessoas Eu e os outros, e como me acabavam de interromper por serem pombos,  antes de me lembrar deles pensava na essência do mundo e na minha, e revelou-se [suja] por ter pensado nos outros tornando a matéria não pura.

Por fim, fui confrontado com o tema de gaivotas sem penas, não consegui achar verdadeira a imagem de me ver sem pele, mas via os meus órgão através da fresta do meu corpo, como descrevi no poema que li.
Não fui claro, e não consegui ir para além desta incapacidade, e continuo sem poder e sem querer ir para além dessa incapacidade.
Posso acabar por dizer que afinal tudo me faz confusão porque confundia pássaros. Logo aí as possibilidades de ser lúcido são um pouco impossíveis… 

Luís Costa